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DeepSeek abre API de busca própria a US$ 0,75 por mil consultas

Por Vinicius Moreira 6 min de leitura
Ilustração em papel recortado sobre fundo bege: à esquerda, uma pilha alta de folhas brancas idênticas; ao centro, uma peneira inclinada de aro verde-petróleo retém as folhas repetidas e deixa passar três folhas coloridas; à direita, um pequeno robô de papelão com uma lente única segura um cartão de resultado com um selo verde; no alto, à esquerda, o título DeepSeek abre a busca e a linha US$ 0,75 por mil consultas.
A busca própria da DeepSeek agora é vendida por chamada — com nota de autoridade e um filtro que ela não detalha.
Tópicos desta notícia (7)
  1. 01O que a DeepSeek abriu
  2. 02Quanto custa e o que cada resultado entrega
  3. 03O filtro a “manipulação de GEO” — o que a DeepSeek diz e o que não diz
  4. 04O que isso muda para uma PME brasileira
  5. 05Riscos e limites
  6. 06Fontes
  7. 07Conclusão

O que a DeepSeek abriu

Em 17 de outubro, a DeepSeek publicou no changelog da sua API a abertura de duas interfaces que até então serviam apenas aos produtos da própria empresa: a Search, que encontra páginas para uma consulta, e a Fetch, que lê uma página e devolve o conteúdo em Markdown. As duas usam a mesma chave de API dos modelos e foram anunciadas junto da atualização do modelo V4.1-Flash-1017, no anúncio oficial.

A busca é servida por um motor próprio, não por um índice de terceiro. Segundo o changelog, ele indexa “centenas de bilhões de páginas web”, atende “centenas de milhões de requisições de busca por dia” e filtra, com “mecanismos estritos de detecção”, spam de SEO, “manipulação de GEO” e conteúdo gerado por IA de baixa qualidade. A empresa não publicou, nas páginas de lançamento, um estudo independente de qualidade, latência ou cobertura em português.

Para quem programa, o desenho é simples: a Search recebe uma consulta de até 128 caracteres e devolve até 50 resultados; a Fetch recebe uma URL e devolve o texto da página. Não há produto separado, tela ou plano de assinatura — é uma chamada JSON cobrada por requisição, dentro da mesma conta usada para os modelos.

Quanto custa e o que cada resultado entrega

Cada endpoint custa US$ 0,75 por 1.000 requisições bem-sucedidas, segundo a seção de cobrança do guia. Só é cobrada a chamada que responde com resultado: busca vazia, erro e tempo esgotado não entram na conta. Pedir 50 resultados custa o mesmo que pedir um — e essa é a diferença que interessa a quem vai usar a API para auditar um site.

Convertido pelo dólar comercial de 19 de outubro (PTAX de venda a R$ 5,0564, segundo o Banco Central), mil buscas saem por cerca de R$ 3,79, ou R$ 0,0038 por chamada. Uma consulta com 50 resultados, portanto, custa menos de meio centavo de real.

O retorno é mais interessante do que o preço. Cada item traz título, URL, um trecho curto de 100 a 200 caracteres para exibição, um resumo de 600 a 800 caracteres feito para ser lido por um modelo, a data de publicação e dois números: o rerank_score, de 0 a 3, que combina relevância, autoridade e atualidade (acima de 1,5 é considerado “alta qualidade”), e o authority, uma nota de 0 a 4 sobre a autoridade da página, em que 3 ou mais indica fonte “altamente autoritativa” e -1 significa desconhecida. A documentação não explica como nenhuma das duas notas é calculada.

O resumo longo é escrito para o modelo ler antes de decidir se abre a página: um agente pode responder com esses 600 a 800 caracteres e nunca carregar o site.

O filtro a “manipulação de GEO” — o que a DeepSeek diz e o que não diz

O ponto mais sensível é uma frase do changelog: ao listar o que o motor filtra, ele inclui “manipulação de GEO” ao lado de spam de SEO e de conteúdo de IA de baixa qualidade. GEO é a otimização para mecanismos generativos — o trabalho de ajustar conteúdo para ser citado por respostas de IA.

A DeepSeek não define o termo, não dá exemplo do que considera manipulação, não descreve a detecção e não abre canal de recurso. Também não diz se a página filtrada desaparece de todas as consultas ou apenas de algumas. A referência da API informa que uma busca sem resultados devolve uma lista vazia — e não há campo de diagnóstico que separe “página fora do índice” de “página barrada pelo filtro”.

O contraste com o Google ajuda a medir a lacuna. Em maio, o Google esclareceu que suas políticas de spam também valem para as respostas de IA generativa na Busca — ou seja, publicou a regra e a lista de práticas proibidas que já aplicava ao restante do índice. A DeepSeek anunciou um filtro com nome próprio, mas sem a regra publicada.

Na prática, táticas de GEO que já eram arriscadas — páginas em massa com o mesmo texto, citações inventadas, palavras-chave empilhadas para agradar modelo — ganham mais um lugar onde podem ser penalizadas, sem que o responsável saiba o que aconteceu. O que não se explica ao leitor também não se explica ao filtro.

Comparação entre o que a DeepSeek documentou e o que ficou sem resposta pública
Comparação entre o que a DeepSeek documentou e o que ficou sem resposta pública

O que isso muda para uma PME brasileira

Para a maioria das pequenas e médias empresas, o caminho não é integrar a API nesta semana. É entender que mais um mecanismo de resposta com citação passou a vender o próprio índice — e que o conteúdo citado é o que aparece para quem pergunta.

A consequência prática mais direta é uma auditoria barata. Com uma conta financiada, a consulta site:seudominio.com.br com 50 resultados devolve até 50 páginas, cada uma com a nota de autoridade e o índice de relevância. Custa cerca de R$ 0,004 por rodada e mostra se as páginas que sustentam a operação estão no índice.

O segundo efeito é sobre prioridade editorial. Se um agente lê um resumo de 600 a 800 caracteres e decide com base nele, páginas com resposta clara no início, autoria, data e fonte primária tendem a render mais do que textos que só fazem sentido depois de três rolagens.

Quatro passos para auditar a presença de um site na busca da DeepSeek
Quatro passos para auditar a presença de um site na busca da DeepSeek

Riscos e limites

O primeiro risco é de dados. O guia aceita dois campos que merecem atenção: ori_question, “a pergunta original do usuário que disparou a busca”, e localization, um IP usado para localizar resultados. Enviar a pergunta e o IP de um cliente para um serviço no exterior exige base legal e transparência sob a LGPD (Lei 13.709/2018); a documentação não diz por quanto tempo esses valores são guardados. Integrar exige avaliação jurídica própria.

O segundo é de rastreio. As páginas de lançamento não identificam qual crawler alimenta o índice nem qual agente a Fetch usa. Regras de robots.txt escritas para bloquear o rastreador de treinamento da DeepSeek não necessariamente alcançam o índice de busca — e o contrário também pode ser verdade. Sem nome declarado, o dono do site não consegue liberar ou bloquear o acesso de forma específica.

O terceiro é de qualidade. Não há benchmark independente em português, a consulta é limitada a 128 caracteres, a documentação não diz se a Fetch executa JavaScript, o filtro pode remover página legítima sem explicação e modelo e índice vêm do mesmo fornecedor. Para uma operação que dependa do canal, meça antes de confiar.

Fontes

Valores em dólar foram convertidos pela PTAX de venda de 19/10/2026 (R$ 5,0564); arredondamentos indicados no texto.

Conclusão

A abertura da busca da DeepSeek não muda o dia a dia de uma PME de imediato, mas antecipa um padrão: índices de IA vendidos por chamada, com notas de autoridade expostas a qualquer desenvolvedor. A decisão útil é medir antes de investir — e não tratar a nota como certidão.

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