Tópicos desta notícia (8)
O PageSpeed Insights passou a usar o Lighthouse 13.6.0, versão publicada em 27 de outubro, e a troca muda a simulação que gera a nota de desempenho. Barry Pollard, especialista em desempenho web do Chrome, confirmou em 2 de novembro que a versão já está no PSI e que as notas simuladas tendem a ficar mais altas — sem que o site tenha mudado. A informação está no release oficial do Lighthouse e no post de Pollard no Bluesky.
O que mudou no PageSpeed Insights
O Lighthouse é o motor que roda o teste de laboratório do PageSpeed Insights. A versão 13.6.0 foi publicada em 27 de outubro com uma lista de mudanças na forma como o Lantern — o modelo que estima o carregamento — calcula o First Contentful Paint (FCP) e o Largest Contentful Paint (LCP). O release notes dizia que a versão deveria chegar ao PageSpeed Insights em até uma semana e ao DevTools do Chrome 159, que ainda está em desenvolvimento.
A chegada ao PSI foi confirmada por Pollard em 2 de novembro. Ele escreveu que a atualização melhora o FCP e o LCP simulados, “resultando em notas mais precisas — geralmente melhores”, e que o efeito é mais provável em sites com muito JavaScript. Não é uma mudança específica de aplicações de página única (SPA), embora esse tipo de site tenha sido o exemplo usado na discussão.
Por que a nota pode subir sem o site mudar
A nota de desempenho do PageSpeed Insights é uma estimativa, não uma medição do que o visitante sentiu. O teste carrega a página em uma conexão rápida e usa um modelo para calcular como ela teria carregado em um celular mais lento. Quando o modelo muda, a estimativa muda junto — mesmo que o HTML, o CSS e as imagens sejam exatamente os mesmos.
A documentação do PageSpeed Insights explica a diferença: os dados de laboratório vêm de uma carga simulada, em um único dispositivo e em um conjunto fixo de condições de rede; os dados de campo vêm de visitas reais dos últimos 28 dias, coletados pelo Chrome UX Report (CrUX). A própria documentação avisa que ter um bom dado de laboratório não significa necessariamente que a experiência real também será boa.
É por isso que a nota pode saltar alguns pontos em uma segunda-feira sem que ninguém tenha mexido no site. O número mudou porque a régua mudou, não porque o servidor ficou mais rápido.
O que mudou na simulação de FCP e LCP
O release notes lista duas correções que explicam a diferença. A primeira é o critério de bloqueio de renderização: na versão 13.5, o Lantern usava a prioridade de cada requisição para decidir se ela bloqueava a renderização; na 13.6, passa a usar o rótulo de bloqueio que o próprio Chrome registra e só recorre à prioridade quando esse rótulo não existe. Scripts de módulo e fontes que o Chrome considera não bloqueantes deixam de atrasar o FCP simulado.
A segunda vale para o caso em que o maior elemento da página é um texto que aparece no mesmo quadro do primeiro conteúdo. Antes, o LCP simulado podia incluir fontes, imagens, folhas de estilo assíncronas e scripts não bloqueantes que terminassem de baixar antes dele; agora, o cálculo usa o mesmo conjunto de requisições e tarefas do FCP. O problema foi documentado pelo engenheiro Ivan Akulov na issue #16539, com uma página em que o texto acima da dobra era ao mesmo tempo o primeiro conteúdo e o maior elemento.

A nota de laboratório não é a experiência do usuário
A confusão mais comum é tratar a nota do PSI como se fosse um retrato do que o cliente vive. Não é. O dado de campo — a seção que aparece no topo do relatório quando a página tem tráfego suficiente — mostra o LCP, o CLS e o INP reais, no percentil 75, dos últimos 28 dias. Uma nota de laboratório verde (90 ou mais) é um bom sinal, mas não garante que o usuário no 3G vai ter a mesma sensação.
Para uma PME, isso muda a pergunta. Em vez de “quanto tirei no PageSpeed?”, a pergunta útil é “o que mudou para quem visita o site?”. Se o dado de campo está bom e o laboratório piorou, o problema pode ser de simulação ou de uma página específica; se o campo piorou e o laboratório está verde, a prioridade é o que o usuário sente, não a nota.
Como comparar relatórios antes e depois
- Versão: confira a versão do Lighthouse logo abaixo do dispositivo emulado; comparar 13.5 com 13.6 é comparar réguas diferentes.
- URL e dispositivo: use a mesma página e o mesmo modo (celular com celular, desktop com desktop).
- Dados de campo: veja o LCP, o CLS e o INP reais antes de comemorar a nota de laboratório.
- Data: registre quando cada relatório foi gerado e qual versão estava no ar.
- Contexto: anote o que mudou na página ou no servidor entre uma medição e outra.

Riscos e limites
O primeiro limite é de magnitude: o release notes não diz quantos pontos a nota vai mudar, e a variação depende do tipo de página, da quantidade de JavaScript e de quanto do carregamento depende de recursos que o Chrome considera não bloqueantes. O segundo é de rollout: a confirmação de Pollard é sobre o PSI, mas o Chrome 159 ainda não está no canal estável, e ferramentas de terceiros podem demorar a acompanhar a mesma versão.
Há também uma frente aberta. A issue #17437 investiga casos em que o LCP simulado pelo Lantern fica muito acima do LCP medido em sites grandes com muito JavaScript. Se essa investigação gerar um novo ajuste, parte da diferença pode ser revista — o que reforça a regra de não tratar a nota como prova definitiva de melhoria.
Fontes
- GoogleChrome/lighthouse — Release v13.6.0 — publicado em 27/10/2026; acesso em 02/11/2026
- Barry Pollard — post no Bluesky sobre o PSI e o Lighthouse 13.6 — publicado em 02/11/2026; acesso em 02/11/2026
- Google — About PageSpeed Insights — acesso em 02/11/2026
- The SEO Handbook — Lighthouse 13.6 stops penalising some preloads in simulated FCP and LCP — publicado em 30/10/2026; acesso em 02/11/2026
O fato central foi conferido no release oficial e no post do defensor de desempenho do Chrome; as definições de laboratório, campo e CrUX foram conferidas na documentação do PageSpeed Insights. A cobertura independente foi usada para confrontar a descrição da mudança. Dados verificados em 02/11/2026.
O que fazer com essa informação agora
Se a sua empresa acompanha a nota do PageSpeed Insights, a primeira providência é anotar a versão do Lighthouse nos relatórios antigos e comparar apenas o que foi medido com a mesma régua. A segunda é olhar o dado de campo antes de aceitar a nota de laboratório como prova de melhoria.
Se o site tem muito JavaScript e a nota subiu depois de 27 de outubro, vale reexecutar as páginas principais e comparar com os dados de campo antes de comunicar qualquer ganho. A Canis trabalha com SEO técnico e desempenho web e ajuda a separar o que é melhoria real do que é mudança de medição.