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Pinterest abre inventário para compra programática via DSP

Por Vinicius Moreira 6 min de leitura
Ilustração vetorial chapada: mural alto de cartões visuais presos com pinos, com um painel aberto como porta de armário, e uma esteira curta que leva três caixas até uma pilha de plataformas à direita; no alto à esquerda, o texto Pinterest / Programmatic Deals.
Imagem ilustrativa gerada por IA.
Tópicos desta notícia (7)
  1. 01O que o Pinterest abriu para compradores de mídia
  2. 02Como funciona um Programmatic Deals, do SSP ao DSP
  3. 03O que o teste da Moroccanoil mostra e o que ele não prova
  4. 04O que isso muda para a PME brasileira
  5. 05Riscos e condições antes de mover verba
  6. 06Fontes
  7. 07Como decidir se vale testar agora

O que o Pinterest abriu para compradores de mídia

O Pinterest colocou parte do seu inventário de display e vídeo à venda por compra programática. Em 26 de outubro de 2026, a empresa anunciou a disponibilidade geral do Programmatic Deals em mercados selecionados da América do Norte, da América do Sul e da Ásia-Pacífico, segundo o anúncio oficial.

O arranjo tem três peças. Na ponta da oferta, a Magnite é a principal parceira de supply-side platform, o sistema que conecta o inventário e os sinais de audiência do Pinterest às plataformas de compra. Na América Latina e na Ásia-Pacífico, o Pinterest também trabalha com o Google Ad Manager nessa função. Na ponta da demanda, a compra passa por Amazon Ads DVA+, Google Display & Video 360 e Yahoo DSP.

O público-alvo declarado não é o pequeno anunciante que opera sozinho: o texto fala em anunciantes de grande porte que já planejam, compram e medem mídia em DSPs, e apresenta o recurso como forma de incluir o Pinterest em planos mais amplos. O Marketing Dive resume a aposta: a compra programática deve ocupar 74% da receita da internet aberta em 2026, segundo a Madison & Wall.

Como funciona um Programmatic Deals, do SSP ao DSP

Um deal programático é um pacote de inventário negociado fora do leilão aberto. Em vez de disputar cada impressão em tempo real com qualquer comprador, o anunciante fecha condições com o vendedor e recebe acesso a um recorte definido de espaços dentro da plataforma de compra que já usa. O anúncio do Pinterest fala em inventário selecionado de display e vídeo — ou seja, não é todo o estoque da plataforma.

A SSP entra como intermediária técnica. A Magnite conecta o inventário e os sinais de intenção do Pinterest aos DSPs e também inclui o estoque da rede dentro do Magnite Orchestration, uma camada de coordenação que aproxima agentes de compra e de venda. Do outro lado, o DSP é onde a agência define público, lance e mensuração.

A consequência é de fluxo, não de formato de anúncio. Quem já compra Display & Video 360 ou Amazon Ads pode incluir o Pinterest na mesma campanha, com as mesmas regras de mídia, em vez de abrir uma conta separada e conciliar dois relatórios.

Linha do tempo vertical com quatro etapas numeradas, do inventário do Pinterest à campanha, em marcadores ciano sobre fundo escuro.
Linha do tempo vertical com quatro etapas numeradas, do inventário do Pinterest à campanha, em marcadores ciano sobre fundo escuro.

O que o teste da Moroccanoil mostra e o que ele não prova

O anúncio traz um caso como prova de conceito. Em junho de 2026, a Moroccanoil usou um deal habilitado pela Magnite e via Amazon Ads para acrescentar o Pinterest a uma campanha que já rodava com vídeo e display. Segundo a empresa, o resultado foi 15% de alcance incremental, com apenas 1% de sobreposição de audiência, e 63% mais compradores novos para a marca — este último medido entre os consumidores cujo caminho de compra passou pelo Pinterest, uma condição importante da métrica. O CTR ficou 20% acima da média das campanhas de vídeo e display da marca.

Os números sustentam uma leitura específica: o Pinterest acrescentou gente que a campanha não alcançava, e não apenas reciclou público. O que eles não provam é quanto disso se repete em outra categoria, em outro país ou com outro orçamento. O caso é de uma marca de beleza, num único mês, com dados divulgados pela própria plataforma e pelo anunciante, sem auditoria independente publicada. A leitura correta é a de indicador de direção, não a de parâmetro para planejar investimento.

O que isso muda para a PME brasileira

Para a empresa que anuncia pelo gerenciador do Pinterest, com orçamento de alguns milhares de reais por mês, a mudança é indireta: o caminho de compra continua o mesmo. O Programmatic Deals foi desenhado para quem já opera dentro de um DSP, com contrato de mídia e mínimo de investimento.

Para a agência brasileira que compra em Display & Video 360, a mudança é concreta. O Google Ad Manager é parceiro de oferta do Pinterest na América Latina, e o DV360 está entre os DSPs citados como disponíveis. Na prática, o inventário do Pinterest passa a poder entrar no mesmo plano de mídia de outros canais, com medição centralizada.

O mercado brasileiro dá a dimensão. O estudo Digital Adspend 2026, do IAB Brasil, aponta R$ 42,7 bilhões investidos em publicidade digital no país em 2025, alta de 12,7% sobre o ano anterior, com 55% destinados a redes sociais e 49% do total em vídeo, segundo a UOL para Marcas. Um canal com 640 milhões de usuários ativos mensais e mais de 80 bilhões de buscas por mês, das quais mais da metade comerciais, entra nessa conta por um caminho que a empresa pequena ainda não acessa direto.

Riscos e condições antes de mover verba

O primeiro limite está no estoque. O anúncio fala de inventário selecionado, sem detalhar quanto do total fica disponível em cada região nem quais posicionamentos entram no pacote. Quem planeja cobertura total da plataforma pode encontrar um recorte menor do que o esperado.

O segundo é de piso. Deals programáticos costumam vir com investimento mínimo e período definidos em contrato, e o Pinterest não publicou preço, mínimo nem CPM. Sem essa informação, a comparação com o gerenciador de anúncios fica incompleta.

O terceiro é de controle. Na compra direta, a empresa ajusta posicionamento, criativo e lance com granularidade fina. Num deal via DSP, parte dessas decisões passa para as regras da plataforma de compra e para o pacote negociado, e o ajuste fino pode ficar mais lento.

O quarto é de leitura de resultado. A medição feita no DSP cobre o que passou por ali; a conversão que o Pinterest atribui internamente pode contar outra história. Comparar os dois sem separar o que cada um mede leva a conclusão errada sobre o retorno.

Fontes

  • Pinterest Newsroom, “Pinterest unlocks premium inventory for programmatic buyers, scaling high-intent discovery” — 26/10/2026: https://newsroom.pinterest.com/news/pinterest-programmatic-deals/
  • Marketing Dive, “Pinterest strengthens bid to media buyers with programmatic solution” — 26/10/2026: https://www.marketingdive.com/news/pinterest-strengthens-bid-to-media-buyers-with-programmatic-solution/833913/
  • MediaPost via Yahoo Finance, “Pinterest Expands Ad Inventory Through Programmatic Deals” — 26/10/2026: https://finance.yahoo.com/media-advertising/articles/pinterest-expands-ad-inventory-programmatic-130357463.html
  • UOL para Marcas, “IAB Brasil: investimento em publicidade digital alcança R$ 42,7 bi” — 22/07/2026: https://blog.publicidade.uol.com.br/insights/iab-brasil-investimento-em-publicidade-digital-alcanca-r-427-bi

Todos os links foram acessados em 26/10/2026.

Como decidir se vale testar agora

A pergunta que separa os dois caminhos é simples: a empresa já compra mídia por DSP? Se a resposta for não, o Programmatic Deals não muda nada neste momento — o gerenciador de anúncios do Pinterest continua sendo a porta de entrada, e é lá que faz sentido aprender o canal, testar criativo e medir antes de discutir contrato.

Cartão escuro com quatro itens marcados por check, sob o título "Antes de aceitar o deal".
Cartão escuro com quatro itens marcados por check, sob o título “Antes de aceitar o deal”.

Se a resposta for sim, vale pedir três informações ao parceiro de mídia antes de reservar verba: qual inventário do Pinterest está incluído no deal, qual é o investimento mínimo e como o resultado será medido em relação ao que a plataforma reporta. Com essas três respostas, a decisão deixa de ser sobre a novidade e passa a ser sobre incremental real.

Para estruturar esse teste, veja como trabalhamos com anúncios no Pinterest.

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