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Uber põe 30 mil funcionários no ChatGPT Work: o que muda

Por Vinicius Moreira 6 min de leitura
Prancha vetorial chapada em fundo azul-petróleo: uma grade de ícones de pessoas em traço fino converge para um balão arredondado em ciano com um cursor, sob as palavras 30 MIL FUNCIONÁRIOS e NO CHATGPT WORK.
Imagem ilustrativa gerada por IA.
Tópicos desta notícia (7)
  1. 01O que a Uber anunciou em 22 de outubro
  2. 02De 1.000 para 30 mil: o que o piloto mostrou
  3. 03O que é o ChatGPT Work — e o que ele não é
  4. 04O que isso muda para a PME brasileira
  5. 05Riscos e limites do caso
  6. 06Fontes
  7. 07Fechamento

O que a Uber anunciou em 22 de outubro

A Uber vai colocar o ChatGPT Work — o agente que roda dentro do ChatGPT Enterprise — à disposição de mais de 30 mil funcionários no mundo. O anúncio foi feito nesta quinta-feira, 22 de outubro, pela OpenAI em conjunto com a empresa de mobilidade, e a expansão parte de um piloto que começou com 1.000 pessoas.

Segundo a OpenAI, esta é a primeira implantação de uma plataforma de agentes para trabalho de conhecimento em toda a Uber. O agente se conecta a ferramentas que o time já usa — Google Drive, Gmail, Google Calendar e Slack — para pesquisar informação, preparar briefings de reunião, montar apresentações, analisar dados e concluir fluxos que atravessam vários aplicativos.

A operação tem três peças de apoio que costumam passar batido em anúncios do tipo: uma biblioteca interna de habilidades de IA da própria Uber, um conjunto de integrações aprovadas e treinamento dedicado por função. A engenharia continua no Codex, a ferramenta da OpenAI para código — ou seja, o agente não substitui o ambiente de desenvolvimento, ele atende o resto da empresa.

De 1.000 para 30 mil: o que o piloto mostrou

O número que explica por que a Uber comprou a ideia não é o total de assentos, é a distribuição. Segundo Sumanth Sukumar, vice-presidente de engenharia da Uber, cerca de 80% dos primeiros usuários do piloto não eram engenheiros — vieram de finanças, operações e produto, conforme publicou o TechCrunch.

O uso descrito por ele foi menos “gerar texto” e mais “fechar tarefa”: analisar dados complexos da operação para achar tendência e montar recomendação, localizar material de treinamento para diferentes mercados e idiomas e construir painéis interativos para organizar o trabalho do dia.

A Uber também contou um método que antecede a compra de licenças. No início do ano, formou duplas com 30 engenheiros de IA e as colocou junto a equipes de várias áreas por duas semanas, para automatizar partes-chave do trabalho dessas equipes. É a parte mais replicável do caso: antes de contratar assento para todo mundo, a empresa testou o encontro entre quem sabe construir e quem sabe o trabalho.

Diagrama em três etapas que resume como a Uber passou do piloto à expansão do ChatGPT Work.
Diagrama em três etapas que resume como a Uber passou do piloto à expansão do ChatGPT Work.

O que é o ChatGPT Work — e o que ele não é

ChatGPT Work é o modo de trabalho do ChatGPT lançado em julho de 2026, com foco em tarefas longas e entregas prontas, e não em resposta solta de chat. Na Uber, ele roda dentro do ChatGPT Enterprise, o plano corporativo. A página do produto lista disponibilidade para Plus, Pro, Business, Enterprise e Edu, além dos apps para macOS e Windows.

Um detalhe técnico importa para quem avalia custo: a OpenAI diz que o GPT-6.1 Sol será o modelo padrão dentro do ChatGPT Work na Uber, com equilíbrio entre desempenho e custo, e que as equipes também terão acesso a recursos multimodais, como voz e geração de imagem. Modelo padrão não é detalhe de rodapé — é o que define o preço por uso e a qualidade da entrega.

Também vale separar três coisas que o nome “ChatGPT” embaralha. O ChatGPT Work é o agente corporativo. O Codex é a ferramenta de código, que a Uber mantém para engenharia. E existe ainda a integração de consumo, que permite pedir uma corrida da Uber conversando com o ChatGPT — outra frente da parceria, sem relação com o uso interno anunciado agora.

O que isso muda para a PME brasileira

Para uma PME de 20 a 300 pessoas, o caso serve como ordem de perguntas, não como receita. A primeira é escopo: quem recebe assento? O piloto da Uber sugere começar por operações e finanças, onde a tarefa é recorrente, tem entrada de dados e gera documento — não pelo time que já programa.

A segunda é dado: ligar Drive, Gmail, calendário e Slack a um agente põe documentos, planilhas e conversas num sistema que responde em linguagem natural. A LGPD exige finalidade e necessidade no tratamento e assegura ao titular o controle sobre o dado — na prática, decidir quais pastas e canais entram, quem pode pedir o quê e o que fica fora antes de conectar.

A terceira é treinamento: a Uber citou biblioteca de habilidades e treinamento por função, o que indica que o acesso sozinho não gera uso. Uma PME que compra licenças e não define um fluxo-piloto, um responsável e um indicador tende a repetir o padrão clássico: adoção alta na primeira semana, silêncio no segundo mês.

A quarta é medição. A Uber disse que vai acompanhar como as pessoas usam a ferramenta, quais fluxos criam e o efeito no trabalho antes de decidir os próximos passos. Para uma PME, o equivalente é escolher um processo com tempo de ciclo mensurável — fechamento de mês, proposta comercial, onboarding de cliente — e comparar antes e depois, com o mesmo time.

Checklist com quatro decisões que uma empresa deve tomar antes de liberar assentos de um agente corporativo.
Checklist com quatro decisões que uma empresa deve tomar antes de liberar assentos de um agente corporativo.

Riscos e limites do caso

O primeiro limite é o preço: a Uber não divulgou quanto vai gastar com a expansão, e a OpenAI não publica o valor do contrato. Sem esse número, o caso não serve de benchmark de custo — serve de benchmark de método.

O segundo é a ausência de resultado independente. Os dados de uso vêm das duas empresas envolvidas; não há estudo externo medindo produtividade ou qualidade de entrega. Números de fornecedor e de cliente são ponto de partida, não auditoria.

O terceiro é o contexto de quadro. Em 2 de setembro de 2026, a Uber anunciou o corte de cerca de 3,3 mil vagas, perto de 10% da força de trabalho e o maior desde 2020, com concentração de funcionários em Nova York e São Francisco e redução do trabalho totalmente remoto, segundo a Reuters, via G1. Nenhuma das fontes liga o anúncio de IA ao corte; tratar um como causa do outro é especulação.

O quarto é dependência: escolher o modelo padrão de um fornecedor, integrar as ferramentas do dia a dia e treinar o time nessa plataforma cria custo de troca. Para PME, isso pede cláusula de saída e plano para exportar o que for seu.

Fontes

Fechamento

O anúncio da Uber é menos sobre um modelo novo e mais sobre distribuição com governança: conectores aprovados, biblioteca de habilidades, treinamento e um modelo padrão definido. É essa combinação — não o número de assentos — que uma PME consegue copiar em escala menor.

O caminho prático: escolher um processo com tempo de ciclo conhecido, liberar acesso a um grupo pequeno, limitar os conectores ao necessário e medir antes e depois. Se a sua empresa avalia esse passo, veja como a Canis trabalha automação e inteligência artificial para operações enxutas.

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