Marketing digital
Agência de social media: o que terceirizar e o que manter
O que terceirizar em social media, o que precisa ficar com a sua empresa e como comparar propostas antes de contratar agência, freelancer ou time interno.
Ler conteúdo →O que uma agência de marketing para médicos faz além do anúncio: a régua do CFM, as quatro frentes que funcionam e o que exigir antes de assinar.
O anúncio compra a atenção de quem já está procurando aquele serviço. Ele não resolve a escolha entre dois especialistas igualmente qualificados, não constrói a reputação que o paciente checa antes de marcar e não cuida do que acontece com o contato depois do clique. É por isso que clínica com verba de mídia ativa continua com agenda irregular: falta o resto.
Este texto é para quem decide e assina o marketing do consultório ou da clínica — não é guia de carreira para quem quer trabalhar com marketing médico, nem conteúdo para paciente. O que sustenta a escolha além do anúncio são quatro frentes, e este artigo entrega as quatro, com a régua ética que nenhuma delas pode furar.
Marketing médico é permitido e regulado — não proibido. Desde 11 de março de 2024 vale a Resolução CFM nº 2.336/2023, que revogou a 1.974/2011 e passou a permitir, de forma explícita, que o médico faça publicidade nas próprias redes para formar, manter ou ampliar clientela (art. 13, III).
| O que a norma permite | O que continua vedado |
|---|---|
| Divulgar qualificação técnica: especialidade com RQE e pós-graduação (art. 13, VI e §1º) | Não especialista divulgar que trata de sistemas orgânicos, órgãos ou doenças específicas (art. 11, I) |
| Informar valores de consulta, meios e formas de pagamento (art. 9º, VI) | Atribuir capacidade privilegiada a aparelhagem ou a técnica (art. 11, II e IX) |
| Mostrar o ambiente de trabalho, a equipe e a própria imagem, sem sensacionalismo (art. 8º, III; art. 9º, I) | Divulgar método ou técnica não reconhecido pelo CFM (art. 11, VII) |
| Repostar elogios e depoimentos sóbrios, sem adjetivo de superioridade nem promessa de resultado (art. 14, II, g) | Propaganda enganosa de qualquer natureza — é onde entram promessa e garantia de resultado (art. 11, VI) |
| Usar imagem de paciente e “antes e depois” com finalidade educativa, sem identificar o paciente e sem edição (art. 14, II) | Expor imagens de consultas e procedimentos em tempo real (art. 11, VIII) |

E existe o que não é opcional: toda peça precisa trazer nome, número de CRM com a palavra MÉDICO e especialidade ou área de atuação com o RQE (art. 4º) — e, nas redes sociais, blogs e sites, esses dados têm de estar na página principal do perfil (art. 6º).
A pergunta, então, não é “pode fazer marketing?”. É “quem executa sabe onde está a linha?” O CFM resume a mudança de 2023 como liberdade de anúncio “com responsabilidade e sem sensacionalismo”, na notícia oficial do Conselho.
A jornada começa antes do consultório e, na maior parte das vezes, no buscador. Dois dados medidos ajudam a dimensionar o mercado: o Brasil tinha 353.287 médicos especialistas em dezembro de 2024 — 59,1% do total de médicos registrados — e 55,4% deles concentrados na região Sudeste, segundo a Demografia Médica no Brasil 2025, estudo da FMUSP com o Ministério da Saúde e a AMB.
Do lado de quem procura, um inquérito domiciliar publicado nos Cadernos de Saúde Pública ouviu 1.181 pessoas em cinco municípios do Sul e do Centro-Oeste: 92,3% tinham acesso à internet e, entre elas, 77,1% usavam a internet para buscar informação de saúde; entre quem busca, 94,6% usam um buscador e 41,7% o YouTube, e 44,8% relataram dificuldade para avaliar se a informação que encontram é confiável. Duas ressalvas honestas: não é amostra nacional — são cinco municípios de duas regiões — e nenhum desses números é previsão de faturamento; são dimensionamento de mercado e de comportamento.
É esse último dado que explica por que conteúdo educativo com autoria funciona: o paciente procura, mas não sabe em quem confiar.
| Frente | O que ela resolve | O que exigir de quem executa |
|---|---|---|
| Presença própria que sustenta a decisão | A checagem que o paciente faz depois de ver o anúncio: quem é, onde atende, como marca, quais planos aceita | Que a agência saiba onde a norma manda colocar cada dado (art. 4º e art. 6º) e trate a identidade visual da clínica como ativo |
| Conteúdo educativo com autoria | A desconfiança de quem não sabe julgar a informação que encontra | Peça educativa assinada e revisada, dentro da especialidade registrada, sem promessa de resultado |
| Reputação e avaliações | O desempate entre dois especialistas igualmente qualificados | Perfil atualizado, avaliação respondida e depoimento sóbrio repostado — nunca avaliação comprada (art. 14, II, g) |
| Mensuração da jornada até a consulta | A pergunta “vale continuar investindo?” | Relatório mensal com contato recebido e consulta agendada, não só alcance — é o que o CRM e funil de vendas e a geração de leads organizam |

O anúncio traz quem já procura; as quatro frentes decidem quem é escolhido. Elas operam junto com a gestão de tráfego pago e com a agência de social media — não no lugar delas.
Se a clínica já sabe qual frente está faltando, o próximo passo é levar esse desenho para o diagnóstico, com a especialidade registrada e o posicionamento definido na mão.
Cinco itens, cada um com o sinal de alerta que ele revela:
Peça o escopo por item e uma reunião para ler o relatório junto. Quem não sustenta os dois não sustenta o contrato — e é melhor descobrir isso antes de assinar do que no terceiro mês. A estratégia de marketing e marca é o serviço que cobre as quatro frentes.
Organiza a presença digital da clínica para além do anúncio: site e perfil com identificação correta, conteúdo educativo, reputação e mensuração da jornada até a consulta. Mídia paga costuma fazer parte, mas não é o serviço inteiro.
Pode. A Resolução CFM nº 2.336/2023 permite publicidade nas redes próprias do médico e da clínica, inclusive para ampliar clientela, e permite informar valores de consulta. O que continua vedado é prometer ou garantir resultado, usar sensacionalismo e publicar “antes e depois” sem finalidade educativa.
O valor sai do escopo: quantas frentes entram, quem produz o conteúdo e se a verba de mídia está dentro ou fora do honorário. A Canis não publica faixa de preço em artigo — o número vem do diagnóstico, com a especialidade e o objetivo da clínica em mãos.
Depende do objetivo. O Google Ads captura quem já está procurando aquele serviço naquele momento; o Instagram e o conteúdo constroem quem vai escolher o especialista semanas depois. A decisão se resolve pela agenda e pelo ticket médio da clínica, não por preferência de plataforma.
Mídia paga costuma gerar contato nas primeiras semanas. Presença, conteúdo e reputação são de médio prazo e amadurecem mês a mês — por isso o relatório mensal importa mais que a promessa de prazo, que a norma não permite.
O anúncio resolve a demanda que já existe. O que decide se a clínica é escolhida é o conjunto: presença que sustenta a decisão, conteúdo com autoria, reputação e leitura da jornada até a consulta — tudo dentro da regra do CFM. Chegar à conversa com a especialidade registrada, o posicionamento definido e quem responde ao contato já acertado é o que faz o investimento render.