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Agentes de IA da Monks rodam sozinhos por dias em produção

Por Vinicius Moreira 6 min de leitura
Bloco geométrico ciano representando um agente de IA operando sozinho entre camadas de dados no fundo azul-petróleo
Tópicos desta notícia (8)
  1. 01O que aconteceu
  2. 02Por que isso está acontecendo
  3. 03O que isso muda para uma PME brasileira
  4. 04Onde faz sentido usar
  5. 05Riscos e limites
  6. 06O que avaliar antes de implementar
  7. 07Fontes
  8. 08Conclusão

O que aconteceu

A agência Monks, braço digital da S4 Capital, passou a deixar agentes de IA trabalharem por 36 a 48 horas seguidas sem ninguém olhando, e projetos maiores levam vários dias. Os números estão na reportagem do Digiday, publicada em 6 de outubro de 2026, que ouviu Wesley ter Haar, chief AI and revenue officer da Monks. “Tivemos agentes de programação que trabalharam de 36 a 48 horas sem cometer erros”, afirmou.

A maior parte desse trabalho é código dentro do próprio software da agência. Nessa escala, vários agentes dividem a tarefa, testam o que escrevem contra os requisitos originais e revisam o trabalho uns dos outros. Até poucos meses atrás, segundo ter Haar, os desenvolvedores precisavam montar essa estrutura à mão. Os modelos atuais, diz ele, criam sozinhos sua própria configuração agêntica.

A Monks está adaptando o arranjo para social e performance, onde os agentes observam um evento — uma tendência que dispara, comentários a responder, um post que perde desempenho — e agem. No começo de 2027, um cliente que a empresa não nomeia migra o trabalho de social para esse fluxo, de insights até community management.

Por que isso está acontecendo

O salto do código para o marketing segue uma lógica simples: agentes funcionam melhor onde existe critério claro para conferir o próprio trabalho. Código tem regra e teste; engajamento tem métrica. O Gartner projeta que 40% dos aplicativos corporativos vão integrar agentes de IA específicos de tarefa até o fim de 2026, contra menos de 5% em 2025 — um salto de oito vezes em doze meses.

A Monks não partiu do zero. Em junho de 2026 lançou o Monks.Flow 2.0, a segunda geração de sua plataforma agêntica de marketing, que orquestra “forças de trabalho de IA” e memoriais de marca vivos, segundo o anúncio da Stelia.

Há também pressão de custo. Nos resultados do primeiro semestre de 2026, a S4 Capital reportou receita líquida de £308,0 milhões, queda de 6,2%, e cerca de 6.150 funcionários no fim de junho, 10,5% menos do que um ano antes. Automatizar mais tarefas com menos gente virou parte da equação financeira, e o orçamento de tokens passou a disputar espaço com o de salários.

Escala de autonomia de um agente de IA, do assistente ao autônomo em produção
Escala de autonomia de um agente de IA, do assistente ao autônomo em produção

O que isso muda para uma PME brasileira

A novidade não é a autonomia em si, mas o fato de ela estar em produção, não em laboratório. Para uma PME brasileira, isso reposiciona a régua do que dá para entregar à máquina: tarefas que exigem contexto acumulado e checagem contínua deixaram de ser exclusivas de empresas com engenharia própria.

O Brasil entra nessa conversa pela porta da frente. Segundo o Sentiment Index 2026 da EY, 95% dos entrevistados brasileiros já usam inteligência artificial, contra 85% na média global, e 21% dizem já usar agentes de IA, acima dos 16% da média global. Na mesma pesquisa, 74% afirmam que a supervisão humana é necessária mesmo quando a IA tem alta precisão, e apenas 46% confiam que as organizações protegem seus dados.

Essa distância entre usar e confiar é o ponto prático. Uma PME que hoje conecta um agente ao CRM e ao WhatsApp para responder leads pode, com a mesma tecnologia, deixá-lo conduzindo um fluxo de ponta a ponta por dias. O ganho de produtividade é real, e o risco também: a empresa continua responsável pelo que o agente decide e executa, mesmo sem ninguém olhando.

Onde faz sentido usar

  • Atendimento e pré-venda: o agente qualifica leads e responde dúvidas repetidas, escalando para uma pessoa quando o caso foge do padrão.
  • Marketing e conteúdo: monitorar o desempenho de posts e comentários e propor ajustes, com a publicação sempre aprovada por alguém.
  • Operações e back-office: conciliação de dados, atualização de cadastros e relatórios recorrentes, com trilha de auditoria de tudo que foi alterado.
  • Produto e código: tarefas de desenvolvimento bem especificadas, em que o requisito funciona como teste automático — o caso que a própria Monks validou.

Riscos e limites

O primeiro limite é de governança. O Gartner projeta que 40% das empresas vão rebaixar ou desativar agentes autônomos até 2027 por falhas descobertas só depois de incidentes em produção. Sem classificar cada agente pelo que ele pode fazer e aplicar controles proporcionais ao risco, a autonomia vira passivo em vez de ganho.

O segundo limite é o julgamento humano. A própria Monks relata que os agentes geram 50 ideias de marca em 10 minutos, mas, quando o pedido é mais ousado, talvez só cinco sejam boas — e escolher as cinco pode custar mais tempo do que o ganho. A agência admite estudar reintroduzir atrito nos times para não terceirizar o pensamento junto com a tarefa. Existe ainda a conta de tokens, que cresce com o tempo de execução e precisa caber no orçamento.

O que avaliar antes de implementar

  1. O agente altera o quê? Separe o que ele apenas lê do que ele pode modificar e aplicar. Permissão mínima por função, nunca uma identidade genérica para tudo.
  2. Existe um critério automático de conferência? Requisito, teste ou métrica que diga se o resultado está bom. Sem isso, autonomia longa só acumula erro mais rápido.
  3. Quem é o dono do resultado? Um humano precisa responder por cada agente, mesmo que não acompanhe ação por ação.
  4. O custo por tarefa cabe? Some tokens, tempo de execução e retrabalho antes de multiplicar o número de agentes em operação.
Checklist com quatro critérios antes de dar autonomia a um agente de IA
Checklist com quatro critérios antes de dar autonomia a um agente de IA

Fontes

A informação foi verificada em pelo menos duas fontes independentes. Trechos entre aspas foram traduzidos e atribuídos à fonte.

Conclusão

Agentes que trabalham por dias sem supervisão deixaram de ser demonstração e entraram em produção — primeiro no código, agora no marketing. Para a PME brasileira, a decisão não é adotar ou não adotar, mas em que nível de autonomia, com que critério de conferência e com que dono do resultado. Quem define esse desenho antes de escalar usa a velocidade a favor; quem pula a etapa descobre o limite na hora errada.

Sua empresa está pronta para dar mais autonomia a um agente? O serviço de inteligência artificial e automação da Canis ajuda a desenhar o fluxo, definir permissões e escolher o que vale automatizar.

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