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Black Friday: o que os números dizem sobre criativo em anúncios

Por Vinicius Moreira 6 min de leitura
Ilustração em papel e tinta: dois cavaletes de madeira clara lado a lado com cartazes de anúncio, um com um triângulo azul-tinta e outro com um círculo âmbar e o canto dobrado como página virada, sob o título Black Friday e a linha o que os números dizem sobre criativos
Trocar o criativo toda semana: o hábito ligado ao melhor retorno na temporada.
Tópicos desta notícia (8)
  1. 01O que os números da temporada dizem
  2. 02Renovar o criativo quase toda semana foi o hábito que mais pesou
  3. 03Promoção ou produto: o equilíbrio que os dados mostram
  4. 04Formato importa: vídeo curto e endcard interativo
  5. 05O que a PME brasileira faz antes de novembro
  6. 06Riscos e limites
  7. 07Fontes
  8. 08Conclusão

O que os números da temporada dizem

A AppLovin publicou em 7 de outubro o relatório “BFCM 2026 Part 3: Four creative decisions that drive results”, terceira parte de uma série sobre a temporada de Black Friday e Cyber Monday. A base do estudo: dados de checkout e receita de anunciantes de e-commerce e dados de campanhas na própria rede da AppLovin durante a janela de compras de novembro de 2025 (AppLovin). O Marketing Dive repercutiu os números em 16 de outubro, com declarações de Sam Appelbaum, diretor sênior de consumo da empresa (Marketing Dive).

A leitura central é que, na temporada, o que separa resultados não é o tamanho do desconto nem o volume de verba: são quatro decisões de criativo. Renovar as peças quase toda semana esteve associado a um retorno sobre o gasto em anúncios (ROAS) 23% maior em sete dias. A mensagem de promoção rendeu mais que a de produto. Os vídeos mais curtos tiveram o maior salto de desempenho. E o formato do endcard — a tela final que aparece depois do vídeo — inverteu o sinal entre interativo e estático.

Renovar o criativo quase toda semana foi o hábito que mais pesou

No recorte, 63% dos anunciantes colocaram criativo novo em três ou quatro semanas de novembro; os outros 37%, em uma ou duas. Quem renovou quase toda semana teve ROAS de 7 dias 23% maior, em mediana, que quem renovou uma ou duas vezes. O criativo novo também foi mais eficiente que o antigo: peças enviadas em novembro entregaram 20% mais ROAS na primeira interação e 15% mais em sete dias do que peças com mais de 60 dias — com custo por compra 19% e 13% menor, respectivamente.

Sustentar esse ritmo depende menos de inspiração e mais de processo: é um ciclo de produção que começa antes da temporada e se realimenta a cada rodada — não uma ação única de véspera.

Etapas do ciclo de produção de criativo para a temporada de Black Friday
Etapas do ciclo de produção de criativo para a temporada de Black Friday

Promoção ou produto: o equilíbrio que os dados mostram

Os anunciantes subiram mais criativos de produto do que de promoção: a mensagem de produto foi 58,2% das peças, mas levou só 37,8% da verba entregue. Do outro lado, as peças de promoção (41,8% do total) concentraram 62,2% do gasto e responderam por 64,2% da receita atribuída em sete dias — devolvendo US$ 1,38 por dólar investido, contra US$ 1,26 das peças de produto.

O dado mais acionável, porém, é o do equilíbrio: quando a promoção ficou entre 50% e 74% do mix de criativos, o custo por compra foi 1,17 vez mais eficiente no primeiro toque e 1,13 vez melhor em sete dias, com ROAS praticamente igual ao das misturas com menos oferta. A leitura prática: não é para transformar todo o criativo em liquidação — é para calibrar a proporção e deixar o resto contar a história do produto.

Formato importa: vídeo curto e endcard interativo

Na comparação com o período de junho a setembro (semanas sem promoção), os vídeos de até 15 segundos tiveram o maior ganho de ROAS de novos clientes na primeira interação: 83%. O salto cai para 39% nos vídeos de 16 a 29 segundos e para 24% nos de 30 segundos ou mais — os dados sugerem que, perto da Black Friday, o consumidor já pesquisou o que quer e responde melhor a estímulo direto e curto.

Depois do vídeo, o endcard decide o próximo passo. Endcards HTML interativos melhoraram 35% no ROAS do primeiro toque e 40% em sete dias; endcards de imagem estática caíram 11% e 5%. Entre novos clientes, a diferença é ainda maior: 48% e 58% de alta para os interativos, contra 6% e 14% dos estáticos. Traduzindo: vale testar o formato interativo contra o estático em anúncios comparáveis, com o mesmo produto e a mesma oferta.

O que a PME brasileira faz antes de novembro

A temporada brasileira tem um detalhe de calendário que joga a favor de quem se prepara: a Black Friday de 2026 será em 27 de novembro, e metade dos consumidores começa a pesquisar ofertas com mais de um mês de antecedência, segundo levantamento da LWSA com a Opinion Box — 54% pretendem distribuir as compras ao longo de novembro e apenas 20% vão concentrar tudo na sexta-feira (UAI). Pesquisa do Google apresentada neste mês mostra o mesmo movimento: 48% dos consumidores já têm lista de compras definida e 41% pretendem gastar mais que em 2025 (E-Commerce Brasil).

Para uma PME, isso significa tratar outubro e o início de novembro como meses de produção e teste — não de espera. É a janela em que dá para produzir criativo com calma e corrigir rota com dados da própria conta, antes de o pico tornar cada erro mais caro. A alocação de verba entre canais é a outra metade da decisão — se ela ainda não está clara na sua conta, vale revisar como priorizar canais e orçamento antes de acelerar.

Checklist com quatro verificações de criativo antes de investir na temporada de Black Friday
Checklist com quatro verificações de criativo antes de investir na temporada de Black Friday

Riscos e limites

Os números vêm de um estudo observacional, com grupos pareados de anunciantes, e os próprios autores avisam: servem para orientar o planejamento, não para garantir resultado. A base é a rede da AppLovin e o varejo que ela atende, na temporada de 2025 — os efeitos podem variar em outras plataformas, categorias e no mercado brasileiro. Há também um limite operacional honesto: renovar criativo quase toda semana custa produção, aprovação e verba de teste; para equipes pequenas, o caminho realista é calibrar a frequência ao que dá para sustentar, começando pelos programas de maior intenção de compra.

Fontes

Dados verificados em 16/10/2026.

Conclusão

O recado dos números para quem vai anunciar na Black Friday é simples: o criativo é a variável que mais se pode controlar antes da temporada. Renovar com frequência, calibrar a mensagem promocional, encurtar o vídeo e testar o endcard interativo são decisões que começam em outubro — e que chegam à sexta-feira já validadas por dados da própria conta.

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