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Google Ads prioriza canais e limita orçamento no Display

Por Vinicius Moreira 6 min de leitura
Ilustração com o título Google Ads e um fluxo de orçamento dividido entre dois canais de anúncio, um deles com registro que limita a vazão
O orçamento deixa de ser uma decisão de ligar ou desligar canal: passa a ter ordem de prioridade e teto.
Tópicos desta notícia (7)
  1. 01O que o Google Ads anunciou
  2. 02Alta prioridade, baixa prioridade: como o gasto passa a ser dividido
  3. 03Fevereiro de 2027: o prazo que muda o Display nas campanhas de Search
  4. 04O que uma PME brasileira deve revisar agora
  5. 05Riscos e limites
  6. 06Fontes
  7. 07Conclusão

O que o Google Ads anunciou

Em 14 de outubro de 2026, o Google anunciou dois controles novos para decidir onde o orçamento de uma campanha é gasto primeiro: a priorização de canais e a alocação de orçamento por canal (anúncio oficial do Google Ads). Com eles, o anunciante deixa de escolher entre ligar e desligar uma rede — Search partners, Display — e passa a ordenar as redes por importância e a fixar um teto de gasto para as menos prioritárias.

Segundo a documentação de ajuda do recurso, os controles começam a ficar disponíveis em 15 de outubro de 2026 e chegam de forma progressiva às campanhas de Search, Shopping, Performance Max e Demand Gen. A data exata depende do tipo de campanha e do ritmo do lançamento em cada conta. O anúncio foi assinado por Tal Akabas, diretor de gestão de produto do Google Ads.

Um detalhe muda a leitura do lançamento: por padrão, todos os canais já nascem como prioridade alta. Nada muda na conta até alguém mover um canal para baixo — ou seja, o recurso é opcional, com uma exceção que chega em fevereiro de 2027.

Alta prioridade, baixa prioridade: como o gasto passa a ser dividido

A priorização trabalha em dois níveis. Nos canais marcados como prioridade alta, o Google gasta o orçamento primeiro, respeitando a meta quando a campanha usa CPA desejado ou ROAS desejado. O que sobra vai para os canais de prioridade baixa. A configuração pode ser feita na conta, em um orçamento compartilhado ou em uma campanha específica, e vale para os tipos de campanha suportados (documentação oficial).

A alocação é o segundo controle e só existe sobre canais de prioridade baixa: neles, o anunciante define um percentual máximo do orçamento diário médio da campanha. O cálculo usa o orçamento diário médio, não o gasto real — 5% de um orçamento médio de R$ 1.000 significam um teto de R$ 50 por dia para aquele canal (exemplo da documentação). O limite é diário e não acumula: o que não foi gasto não passa para o dia seguinte, e definir 0% interrompe o gasto no canal.

Vale entender como isso conversa com a estratégia de lance. Em campanhas limitadas por orçamento, a prioridade alta realmente consome a verba primeiro. Em campanhas que não batem no teto de gasto — o caso comum de quem usa CPA ou ROAS desejado com folga —, a priorização tende a não mudar a distribuição, mas a alocação definida continua valendo. Para uma conta pequena, é esse detalhe que decide se o controle faz diferença na prática.

Comparação entre canal de prioridade alta e canal de prioridade baixa no Google Ads
Comparação entre canal de prioridade alta e canal de prioridade baixa no Google Ads

A parte do anúncio que não é opcional tem data. A partir de fevereiro de 2027, as campanhas de Search com a Expansão de Display ligada migram automaticamente para o novo modelo: a configuração atual de divisão de gasto deixa de existir e a distribuição entre Google Search, Search partners e Display pode mudar. Quem quiser manter o comportamento de hoje precisa marcar o Display como prioridade baixa com 50% de alocação — e esse teto também é aplicado em regime de melhor esforço (documentação oficial).

Duas consequências vêm junto. A primeira: a rede de Display deixa de veicular em campanhas de Search que usam a estratégia de lance Meta de parcela de impressão. A segunda: quem já configurar prioridades em uma campanha de Search antes de fevereiro de 2027 passa a valer imediatamente, substituindo o comportamento atual da Expansão de Display naquela campanha.

O que uma PME brasileira deve revisar agora

A maior parte das contas pequenas liga a Expansão de Display no começo e nunca mais mexe nesse ajuste. É por isso que a data de fevereiro de 2027 importa: é a única mudança do anúncio que alcança quem não fizer nada.

Antes de decidir, vale olhar a conta como ela está hoje. Uma campanha de Search com Display ligado costuma gastar uma fatia do orçamento em inventário de rede de display, com taxa de conversão diferente da busca e sem nenhum limite definido. O novo controle permite testar esses canais com teto em vez de desligá-los, o que é mais útil do que a escolha binária anterior.

Vale também considerar quem opera a conta. Os controles são definidos na conta ou na campanha, e não é possível configurá-los a partir de uma conta de administrador — o que muda o processo de quem gerencia vários clientes, como uma agência de tráfego pago. O suporte na API do Google Ads e no Google Ads Editor ainda não existe: a documentação diz que está por vir.

Checklist com quatro verificações que uma empresa deve fazer na conta antes de fevereiro de 2027
Checklist com quatro verificações que uma empresa deve fazer na conta antes de fevereiro de 2027

Riscos e limites

O teto por canal é de melhor esforço, não uma trava: a própria documentação admite que o gasto diário pode ultrapassar o percentual definido, inclusive em dias em que a campanha gasta acima do orçamento diário médio. Quem precisa de previsibilidade absoluta de verba não encontra aqui uma garantia.

Há mais limites declarados. Campanhas com orçamento total só são compatíveis com a priorização no caso de Demand Gen; em orçamentos compartilhados, todas as campanhas precisam ser do mesmo tipo; e a alocação não é suportada em campanhas de Demand Gen. Como o lançamento é progressivo, a disponibilidade varia por conta e por tipo de campanha nos próximos meses.

Fontes

Dados verificados em 14/10/2026.

Conclusão

O que o Google está fazendo é trocar uma decisão binária por duas alavancas: ordem de prioridade e teto de gasto. Para uma PME brasileira, o ganho não está em microgerenciar o leilão, e sim em responder com dados da própria conta onde o dinheiro é gasto hoje, qual canal traz conversão a um custo aceitável e qual teto faz sentido para testar o que ficou de fora. Quem usa Display em campanha de Search tem prazo: a configuração atual só continua igual se for redefinida antes de fevereiro de 2027.

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