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Google Ads expande anúncios no AI Mode e marca Brasil para o Q4

Por Vinicius Moreira 6 min de leitura
Ilustração vetorial chapada: mapa-múndi estilizado em azul-petróleo sobre fundo creme, com o Brasil destacado em terracota e, sobre o mapa, um balão de conversa escuro com a fachada de uma loja de toldo listrado e uma etiqueta de preço pendurada na lateral.
Anúncio dentro da resposta conversacional: os mercados de agora e o Brasil na fila do quarto trimestre.
Tópicos desta notícia (7)
  1. 01O que o Google anunciou em 28 de outubro
  2. 02Por que o Brasil ficou para o quarto trimestre
  3. 03O que muda para a PME brasileira que já anuncia
  4. 04O que ajustar antes de o formato chegar
  5. 05Riscos e limites do anúncio no AI Mode
  6. 06Fontes
  7. 07O que fazer com essa informação agora

O Google passou a exibir anúncios dentro do AI Mode em dez mercados e colocou o Brasil na lista de expansão para o quarto trimestre de 2026. A informação é do próprio Google, em anúncio publicado em 28 de outubro no blog de Ads & Commerce, assinado por Shashi Thakur, vice-presidente e gerente-geral de Anúncios de Busca. Para quem anuncia, o formato não pede campanha nova — Search, Shopping e Performance Max já existentes ficam elegíveis —, mas muda quem aparece na resposta, porque as consultas no AI Mode são mais longas e exploratórias.

O que o Google anunciou em 28 de outubro

Austrália, Canadá, Índia, Quênia, Malásia, Nova Zelândia, Nigéria, Paquistão, Filipinas e Singapura passam a ter anúncios dentro do AI Mode a partir de agora. Segundo o anúncio, o plano é incluir outros mercados no quarto trimestre de 2026, “incluindo Brasil, México e Reino Unido” — sem data exata, sem ordem de entrada e sem promessa de que os três cheguem juntos.

Nos Estados Unidos, o Google também começou a veicular o multiturn ads, formato que permite exibir anúncios nas perguntas de acompanhamento de uma conversa no AI Mode, e não apenas na primeira resposta.

Os anúncios aparecem rotulados como patrocinados e separados visualmente do conteúdo orgânico. A central de ajuda do Google Ads afirma que a publicidade paga não influencia as respostas orgânicas geradas pela IA, e que a apresentação visual dos anúncios pode mudar conforme os testes da empresa.

Por que o Brasil ficou para o quarto trimestre

O anúncio saiu na mesma teleconferência em que a Alphabet apresentou o resultado do terceiro trimestre, e o timing explica a pressa. A receita da companhia foi de US$ 127,6 bilhões, alta de 25% ano a ano, mas a receita de Busca cresceu 12% — abaixo dos 17% do segundo trimestre e dos 19% do primeiro — e as ações caíram 8% após a divulgação, segundo o TechCrunch. Transformar os recursos de IA em receita publicitária deixou de ser aposta e virou necessidade.

O argumento do Google é comportamental. Ainda na teleconferência, a empresa disse que as consultas no AI Mode são, em média, três vezes mais longas que as buscas tradicionais e que uma em cada cinco envolve voz, imagem ou documento. Na prática, o usuário deixa de digitar “tênis para corrida” e passa a descrever o problema, o terreno e o orçamento — e a resposta da IA organiza a comparação antes de qualquer clique.

Há uma condição que o anúncio não resolve. A documentação lista os anúncios dentro do AI Mode como disponíveis apenas em inglês. Levar o formato ao Brasil no quarto trimestre não significa, necessariamente, ter anúncio em português no primeiro dia: são duas expansões diferentes, a de mercado e a de idioma.

O que muda para a PME brasileira que já anuncia

A primeira consequência é operacional: não existe campanha de AI Mode. Anunciantes não precisam criar campanha nem orçamento separados, porque Search, Shopping e Performance Max entram automaticamente no leilão quando a consulta tem relevância comercial. O Google também diz que não cobra a mais por isso — o mecanismo é o mesmo leilão da Busca, com cobrança por clique ou por conversão.

A segunda é de formato. Anúncios de texto e de Shopping podem aparecer dentro do AI Mode; o Google afirma estar experimentando outros tipos, como anúncios de estoque local e de veículos. Uma loja com catálogo no Merchant Center tende a ter mais superfície do que um prestador de serviço que depende de orçamento.

A terceira é de mensuração, e é a menos confortável. As métricas de impressões, cliques, conversões e custo entram agregadas nos relatórios de campanha e de termos de busca. Não há um relatório “AI Mode” para separar quanto veio dali. Para uma PME, isso significa ler a mudança na composição das consultas, não em uma linha nova de relatório.

Diagrama vertical com três etapas numeradas, ligando a consulta comercial ao anúncio rotulado dentro da resposta.
Diagrama vertical com três etapas numeradas, ligando a consulta comercial ao anúncio rotulado dentro da resposta.

O que ajustar antes de o formato chegar

A diferença de correspondência é o ponto mais acionável. Palavras-chave exatas e de frase entram quando a consulta expressa intenção comercial direta, como na Busca tradicional. Correspondência ampla, AI Max, Performance Max e Shopping também disputam a correspondência contextual com a resposta da IA — é o que permite aparecer numa pergunta exploratória em que a intenção comercial só surge no meio da resposta.

Com isso, a fila de trabalho para os próximos meses fica concreta:

  • revisar a estrutura de correspondência: o que está preso em correspondência exata e de frase não alcança a correspondência contextual;
  • garantir conversão confiável antes de ampliar, porque o Smart Bidding precisa de sinal para leiloar em consultas mais longas;
  • completar o feed do Merchant Center, com títulos descritivos, imagens e política de frete e devolução claros;
  • ajustar ativos e páginas de destino para perguntas, não só para palavras-chave;
  • revisar negativas, já que o formato não tem opt-out e a marca aparece no mesmo leilão da Busca.
Cartão escuro com quatro itens curtos de conferência, cada um marcado por um check.
Cartão escuro com quatro itens curtos de conferência, cada um marcado por um check.

Riscos e limites do anúncio no AI Mode

  • Não há data. O anúncio fala em quarto trimestre de 2026, sem dia e sem ordem entre Brasil, México e Reino Unido.
  • O idioma é uma incógnita. Os anúncios dentro do AI Mode estão documentados em inglês; a expansão de mercados não garante interface em português no mesmo prazo.
  • Não dá para escolher. O Google informa que não é possível direcionar anúncios exclusivamente para o AI Mode nem sair dele separadamente — só restam as negativas e as exclusões de marca.
  • Explicadores de IA. Em alguns espaços, o anúncio aparece com um texto gerado pelo Gemini explicando a relação entre o anúncio e a consulta. O anunciante não escreve, não edita e não pode recusar esse texto.
  • Os números são do Google. A afirmação de que a taxa de cliques de itens patrocinados no AI Mode é semelhante à dos itens orgânicos de produto é da empresa, e não há medição independente publicada até agora.

Fontes

O fato central foi conferido no anúncio oficial e nas duas publicações independentes; as condições operacionais — elegibilidade, ausência de opt-out, cobrança e idioma — foram conferidas na central de ajuda do Google Ads. Dados verificados em 28/10/2026.

O que fazer com essa informação agora

A decisão prática para uma PME brasileira não é esperar o anúncio chegar: é deixar a conta pronta. Isso significa ampliar a cobertura de correspondência com conversão medida, completar o feed quando houver catálogo e revisar negativas — trabalho que vale tanto para a Busca de hoje quanto para a resposta do AI Mode de amanhã.

Se a sua empresa anuncia no Google e não sabe se a estrutura atual alcança a correspondência contextual, a Canis revisa a conta de tráfego pago para identificar o que precisa mudar antes do quarto trimestre.

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