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Itaú constrói IA generativa para toda a base de clientes

Por Vinicius Moreira 6 min de leitura
Ilustração em papel e tinta: um poste azul-tinta à esquerda, com cruzeta no topo e um medidor de mostrador redondo preso ao corpo; do poste, fios em curvas suaves descem em leque até os telhados de seis casas pequenas e azuis enfileiradas sobre uma linha de chão à direita; sobre a cena, o título IA generativa para toda a base e a linha como o Itaú está construindo
A conversa que chega a toda a base, e o controle que fica na origem.
Tópicos desta notícia (7)
  1. 01O que o Itaú construiu
  2. 02O que é a IARA — a governança antes da escala
  3. 03Onde a IA já opera — dos clientes ao jurídico
  4. 04O que uma PME brasileira tira disso
  5. 05Riscos e limites
  6. 06Fontes
  7. 07Conclusão

O que o Itaú construiu

A OpenAI publicou nesta sexta-feira (16) um case sobre como o Itaú está construindo IA generativa para toda a sua base de clientes. O centro da operação é a ia.i, uma camada conversacional que funciona por texto e voz e reúne, em um único ambiente, interações de conta corrente, crédito, cartões e seguros — conectando o cliente ao atendimento humano especializado quando necessário.

Segundo o relato publicado pela OpenAI, a ia.i alcançou cerca de 300 mil clientes na primeira fase, e a meta é estar disponível para 100% da base até o fim de 2026. A solução se apoia em três princípios: interatividade, multimodalidade — texto, voz, imagem e cliques na mesma experiência — e individualização. No centro da personalização está o Customer DNA, uma camada de contexto financeiro sobre aproximadamente 70 milhões de clientes que ajuda o banco a entender necessidades, hábitos e momentos de vida; sob controles de governança, modelos da família GPT estão entre os componentes que mantêm e enriquecem essa representação.

O histórico ajuda a ler o anúncio: a primeira Inteligência Itaú chegou em 2024, para necessidades financeiras específicas, e a ia.i foi apresentada como a nova experiência de IA generativa em julho de 2026. O material publicado hoje é o primeiro relato detalhado de como a engrenagem funciona por dentro — da escolha dos modelos à governança.

O que é a IARA — a governança antes da escala

Por trás da experiência visível está a IARA, uma plataforma de governança e orquestração que dá às equipes do banco acesso controlado a diferentes modelos, conforme as políticas internas. A OpenAI está entre os provedores disponíveis nesse ambiente — e foi essa variedade de modelos, em vez de um modelo único, que permitiu atender jornadas de baixa latência e decisões que exigem raciocínio mais profundo na mesma solução.

O case descreve três problemas que a IARA resolve de uma vez: controle de custo por token, precisão das respostas e aplicação das políticas de IA responsável. Em um setor regulado, é o que permite avançar rápido mantendo o controle — e a lição que o material destaca é direta: construa a camada de governança antes de escalar. O banco trata ainda viés e alinhamento cultural como requisitos de produto: as respostas ao cliente precisam refletir os valores e a cultura da instituição.

Comparação entre as duas camadas da IA generativa no Itaú: a experiência do cliente na ia.i e a governança e orquestração na IARA
Comparação entre as duas camadas da IA generativa no Itaú: a experiência do cliente na ia.i e a governança e orquestração na IARA

Onde a IA já opera — dos clientes ao jurídico

O case também abre a cobertura de onde a IA generativa já trabalha dentro do banco. No departamento jurídico, a solução lê, analisa e interpreta documentos sobre um repositório de mais de 90 milhões de arquivos e executa mais de 2 milhões de tarefas por mês. Os ganhos de eficiência em etapas dos processos vão de 20% a 80%, segundo números atribuídos pelo banco à própria operação.

Para quem atende clientes, as expectativas declaradas são ambiciosas: três vezes mais tempo disponível para o relacionamento, atendimento até duas vezes mais rápido e conversas até três vezes mais efetivas. A mesma camada de inteligência apoia especialistas, gerentes e times de atendimento — com resumos antes de reuniões, preparação de encontros e planos que antes consumiam mais tempo.

O movimento não é de hoje. Em maio, o Itaú já havia relatado um crescimento de 88% no volume de iniciativas de IA generativa em uso no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, junto de uma queda de 44% no custo unitário de processamento com o avanço da nuvem.

O que uma PME brasileira tira disso

Traduzir a operação de um banco de 70 milhões de clientes para uma pequena empresa parece exagero — mas os números mostram que a PME brasileira já está nessa. Pesquisa do Sebrae com o Meta Instituto de Pesquisa (2026) aponta que 52% dos pequenos negócios do país usaram IA em suas atividades nas duas semanas anteriores ao levantamento, contra 21% nos Estados Unidos; 46% precisaram desenvolver novos fluxos de trabalho para incorporar as ferramentas.

O caminho que o case sugere começa antes da tecnologia: escolher um problema concreto do dia a dia e aprender com um grupo inicial de clientes antes de expandir. A disciplina de controle — acesso aos modelos centralizado, custo por token medido desde o primeiro dia — é o que separa uma automação sustentável de uma conta surpresa. E vale lembrar: nem toda ação precisa passar pelo chat; combinar conversa e navegação resolve mais rápido.

Há um princípio que vale para qualquer porte: a governança vem antes da escala. Quem já trata governança de IA no atendimento sabe que as regras de uso, os limites e o monitoramento precisam existir enquanto a operação ainda é pequena — não depois que o volume chega. Para o primeiro passo, dá para começar por automação de processos bem definidos, sem reescrever a operação inteira.

Cinco etapas para uma pequena empresa adotar IA generativa, adaptadas do case do Itaú
Cinco etapas para uma pequena empresa adotar IA generativa, adaptadas do case do Itaú

Riscos e limites

Três ressalvas antes de tratar o case como referência. A primeira é a fonte: trata-se de um material da OpenAI sobre um cliente — os números são atribuídos pelo banco e não têm verificação independente. A segunda é o contexto: um banco com 70 milhões de clientes opera sob exigências regulatórias e orçamento que não se transferem para uma PME, e as expectativas de atendimento (três vezes mais tempo, serviço duas vezes mais rápido) são metas declaradas, não resultados medidos. A terceira é a dependência: centralizar o acesso a modelos reduz o risco de custo, mas exige governança ativa — custo por token, viés e alinhamento cultural seguem como trabalho contínuo, e o case não detalha como isso convive com a LGPD ou com as exigências do Banco Central.

Fontes

Números atribuídos às fontes citadas; o material original da OpenAI está em inglês e as citações indiretas foram traduzidas.

Conclusão

O case do Itaú mostra que IA generativa em escala não começa pelo modelo mais caro — começa por um problema concreto e uma camada de controle que cresce junto com o uso. Para uma PME, a versão realista disso é começar menor ainda e medir o que volta antes de ampliar.

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