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Vale a pena investir em GEO? O que 145 milhões de sessões mostram

Por Vinicius Moreira 6 min de leitura
Ilustração flat de uma avenida congestionada de carros à direita e, à esquerda, um ciclista solitário em uma ciclovia, com um balão de conversa de três pontos acima dele; no alto à esquerda, o texto Vale a pena sobre a linha investir em GEO?
Imagem ilustrativa gerada por IA.
Tópicos desta notícia (8)
  1. 01O que o estudo de 145 milhões de sessões encontrou
  2. 02Por que o ChatGPT converte mais e ainda pesa menos
  3. 03Vale a pena investir em GEO agora?
  4. 04O que fazer com o orçamento: medir antes, Google primeiro
  5. 05O que já muda com a busca agêntica
  6. 06O que o dado não prova e onde ele pode enganar
  7. 07Fontes
  8. 08Decisão: medir o próprio número antes de contratar

O que o estudo de 145 milhões de sessões encontrou

Marie Haynes, consultora de SEO, reuniu 12 meses de dados do Google Analytics 4 de 100 sites de tamanhos diferentes — mais de 145 milhões de sessões — e publicou o resultado em GEO is a distraction, em 21 de outubro. O número que organiza a conversa é este: as sessões vindas do ChatGPT equivalem a 0,62% do volume que o Google orgânico envia aos mesmos sites. Somando todos os assistentes de IA, a fatia chega a 0,73%.

A segunda parte do estudo olha para o que acontece depois do clique. Em 55 das 100 propriedades havia conversão configurada no GA4. Nelas, o visitante vindo do Google orgânico converteu a 3,02%; o vindo do ChatGPT, a 13,8%. Mesmo assim, o Google respondeu por 96,5% das conversões registradas: foram 964 conversões do orgânico contra 36 de todos os LLMs somados, uma diferença de quase 27 vezes, segundo os números publicados pela autora.

Um dado de comportamento contraria a previsão de 2023: o crescimento exponencial das sessões vindas do ChatGPT terminou em agosto de 2025, com o GPT-5, e desde então o volume enviado a sites caiu. A tese da autora é direta: para a maioria dos sites, perseguir citações em LLMs é distração, porque o AI search que hoje manda gente para o negócio continua sendo o do Google — em AI Overviews, em AI Mode e no ranking comum.

Por que o ChatGPT converte mais e ainda pesa menos

A taxa maior não é contradição: é seleção. Quem chega depois de uma conversa com um assistente já descreveu o problema, recebeu uma recomendação e clicou com intenção mais estreita do que a de quem digita três palavras no Google e compara dez resultados. O volume, porém, decide a conta. Uma taxa quatro vezes e meia maior sobre uma base 160 vezes menor continua produzindo pouca conversão absoluta — e é isso que o dado de 3,7% do total mostra na prática.

A ressalva metodológica importa: parte do tráfego de assistentes aparece como acesso direto quando o link chega sem parâmetros de origem, e o ChatGPT passou por um episódio de perda de UTM já tratado nesta notícia sobre a queda de atribuição. A fatia real pode ser um pouco maior, sem inverter a proporção.

Vale a pena investir em GEO agora?

Para a maioria das pequenas e médias empresas brasileiras, não como prioridade número um: o retorno marginal de ser citado em LLM é pequeno frente ao que ainda está disponível no Google, e o orçamento de uma PME não sobra para apostas paralelas.

Uma conta hipotética ajuda: um site com 50 mil sessões por mês vindas do Google orgânico teria, pelas taxas do estudo, cerca de 1.510 conversões mensais por esse canal; o equivalente do ChatGPT seria de aproximadamente 310 sessões, com cerca de 43 conversões. O canal pequeno não substitui o grande.

Há três situações em que GEO deixa de ser distração: o negócio cujo comprador já pesquisa em assistente (serviços técnicos e B2B de nicho, em que a pergunta chega escrita com detalhe); o risco de marca, quando o assistente descreve o produto de forma errada e corrigir a fonte é trabalho de reputação, não de tráfego; e o site que já esgotou o básico de SEO e tem time para testar um canal novo.

A primeira página do Google responde a essa dúvida com a conta do fornecedor: entre os resultados para “vale a pena investir em GEO”, a maioria vende o serviço e calcula o retorno com números ilustrativos, sem amostra independente. A decisão fica melhor quando o dado vem antes do orçamento.

O que fazer com o orçamento: medir antes, Google primeiro

Antes de contratar (ou de descartar) GEO, vale descobrir o próprio número. Desde 13 de maio de 2026 o GA4 tem um canal “AI Assistant” no grupo de canais padrão, que separa visitas de ChatGPT, Gemini e Claude quando o referenciador é reconhecido — a mudança está na página oficial de novidades do Google Analytics. Com isso, qualquer site compara, no mesmo período, sessões e conversões do canal de IA com as do orgânico.

O passo seguinte falta em boa parte das empresas: marcar o evento-chave — 45 dos 100 sites do estudo não rastreavam nenhuma conversão. Sem isso, a comparação de taxa não existe. A ordem prática é conservadora: corrigir o SEO quebrado no Google, tratar AI Overviews e AI Mode como a mesma estratégia de busca e só então reservar uma fatia pequena para GEO.

Checklist de quatro conferências antes de contratar GEO, com marca de check em cada item.
Checklist de quatro conferências antes de contratar GEO, com marca de check em cada item.

O que já muda com a busca agêntica

A parte mais útil da análise não é o “não faça GEO”, e sim o deslocamento que ela aponta. O Google lançou nos Estados Unidos, em 15 de outubro, o Universal Cart: um carrinho que reúne produtos de lojas diferentes dentro da Busca e do app Gemini, com checkout via Google Pay. A camada por baixo é o Universal Commerce Protocol (UCP), que permite a um agente comparar estoque e comprar, e o WebMCP, que expõe funções do site a agentes.

Para uma PME brasileira, nada disso chegou ao país. O que dá para fazer agora é preparação barata: manter feed e dados de produto corretos no Merchant Center, ter dados estruturados legíveis por agente e mapear quais funções do site valeria expor. É infraestrutura para quando o agente chegar, não promessa de tráfego para este trimestre.

Fluxo em quatro caixas, do produto no feed ao pedido no lojista, sob o rótulo Universal Commerce Protocol.
Fluxo em quatro caixas, do produto no feed ao pedido no lojista, sob o rótulo Universal Commerce Protocol.

O que o dado não prova e onde ele pode enganar

O estudo tem limites que a própria autora reconhece ao chamá-lo de amostra pequena: a composição dos 100 sites não foi publicada (países, nichos e faixa de tamanho), a análise de conversão cobre 55 propriedades e não há recorte do mercado brasileiro.

Também é preciso separar duas conclusões. “GEO não é prioridade de tráfego” não significa “ignore como a sua marca aparece nos assistentes”: menção errada a preço, produto ou atendimento continua sendo problema, e o custo de corrigir depois é maior. E o dado descreve um período — a curva mudou em agosto de 2025 e pode mudar de novo quando a compra agêntica sair do piloto.

Fontes

  • Marie Haynes, “GEO is a distraction” — 21/10/2026: https://www.mariehaynes.com/geo-is-a-distraction/
  • Google Analytics, “What’s new in Google Analytics” — canal AI Assistant, 13/05/2026: https://support.google.com/analytics/answer/9164320
  • Google, “Universal Cart launches today in the U.S.” — 15/10/2026: https://blog.google/products-and-platforms/products/shopping/universal-cart-launch/

Todos os links foram acessados em 23/10/2026.

Decisão: medir o próprio número antes de contratar

A pergunta “vale a pena investir em GEO?” depende de um número que só o seu site tem. Antes de assinar qualquer proposta, olhe o canal AI Assistant no GA4, confira se existe evento-chave configurado e compare volume e conversão com o orgânico no mesmo período. Se a fatia for parecida com a do estudo, o orçamento rende mais em SEO no Google e a preparação para a busca agêntica pode esperar; se for muito maior, você tem um caso específico e discute escopo com dado na mão. Para organizar essa prioridade com método, veja como trabalhamos em serviços de SEO.

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