Tópicos desta notícia (8)
O que aconteceu
Na Advertising Week de Nova York, encerrada no início de outubro de 2026, executivos de Chili’s, Disney e Alaska Airlines descreveram a mesma virada: o criador de conteúdo deixou de ser um complemento de campanha para ocupar o centro da estratégia. Em vez de contratar posts avulsos a cada lançamento, as marcas estão fechando acordos mais longos e recorrentes com creators — exatamente o que reportou o Marketing Dive, publicação de imprensa que cobriu o painel e é a fonte primária desta notícia.
A frase que resume a mudança veio de April Johnson, head de influencer marketing da Alaska Airlines: existe muito mais eficiência de orçamento ao contratar creators por período longo, e é assim que eles próprios preferem trabalhar. A Disney ilustrou a escala: a executiva Nicole Leo afirmou que cerca de 40% dos ativos de qualquer campanha de mídia já são liderados por creators, enquanto cinco anos antes esse número ficava abaixo de 10%. Na Chili’s, a estratégia com creators ajudou a levar um item de menu de 7% para 15% das vendas da categoria.
Por que isso está acontecendo
O movimento acompanha o dinheiro. Segundo o forecast do IAB com a Advertiser Perceptions, o gasto anual em publicidade na creator economy dos Estados Unidos passou de US$ 37,1 bilhões em 2025 para uma projeção de US$ 43,9 bilhões em 2026, salto de cerca de 18% em um ano. A parcela que mais cresce não é a taxa paga ao criador pelo conteúdo, e sim a amplificação paga — colocar mídia por trás do post orgânico do creator, fatia que já responde por perto de 40% do gasto do segmento.
A própria Alaska Airlines citada no painel resume a lógica do lado de quem contrata: acordos de prazo mais longo reduzem o custo de negociar a cada campanha e mantêm a linguagem consistente entre as publicações. Para a marca, o contrato recorrente também transforma o creator em fonte de conteúdo reaproveitável em anúncio — no lugar de um investimento que morre quando a campanha acaba.
O que isso muda para uma PME brasileira
No Brasil, o incentivo para entrar nessa lógica é mensurável. A pesquisa #Publi 2026, do IAB Brasil com a Offerwise, ouvindo 1.512 pessoas em agosto de 2026, mostra que 72% dos entrevistados preferem marcas que trabalham com vários criadores menores em vez de apostar tudo em uma figura famosa. O recado é direto: para um pequeno negócio, uma rede de micro e nano creators costuma render mais do que um único nome grande.
O tamanho do mercado ajuda. A própria pesquisa #Publi 2026 mostra que 65% dos entrevistados já acompanham criadores com comunidades menores — há oferta de sobra e poder de barganha para quem negocia com critério, inclusive para orçamentos modestos, que não caberiam em uma campanha de televisão.
Há ainda uma camada de conformidade. Desde 1º de junho de 2026 vigora o Guia de Marketing e Publicidade por Influenciadores Digitais do CONAR, que reforça a identificação publicitária — o popular #publi —, a exigência de testemunho genuíno e a responsabilidade do anunciante sobre o que o creator publica. Um contrato longo, com cláusulas claras, é o que protege a PME nesse ponto.

Onde faz sentido usar
- Lançamento de produto local: um time de micro creators da mesma região mostra o produto no dia a dia, com custo por engajamento menor do que um único perfil de milhões de seguidores.
- Prova social contínua: em contrato de três a seis meses, o creator produz conteúdo recorrente que sustenta a reputação da marca entre campanhas.
- Conteúdo para anúncio: o material do creator vira criativo de mídia paga, aproveitando o mesmo investimento em vez de contratar produção nova.
- Atendimento e vendas: parcerias recorrentes com creators de nicho alimentam o funil de forma previsível, com entregas acordadas por período.
Riscos e limites
A eficiência de custo não é automática. Fechar um contrato longo sem indicador de desempenho pode consolidar um gasto fixo que não retorna — trocar o risco do post avulso pelo risco da dependência de um único creator. Também é preciso cuidado com a perda de autenticidade: a própria pesquisa do IAB Brasil aponta que 72% dos entrevistados dizem que influenciadores perdem parte da conexão genuína conforme crescem, o que encarece e esfria a parceria.
Por fim, o número de ativos liderados por creators citado pela Disney é dos Estados Unidos. Transportá-lo para o Brasil sem ajuste de escala é erro comum: o mercado local é relevante, mas menor e com dinâmica própria de plataformas. Serve como direção, não como meta.
O que avaliar antes de implementar
- Objetivo antes de formato: defina se a parceria é para alcance, desejo ou conversão — a função muda o tipo de creator e a duração do contrato.
- Métrica combinada em contrato: entregas, prazo de uso do conteúdo e indicadores de resposta, não apenas número de posts.
- Identificação publicitária garantida: exija o #publi e o alinhamento às regras do CONAR desde a primeira tela da publicação.
- Direito de reuso da mídia: negocie por escrito o direito de usar o conteúdo em anúncios, pois é aí que o acordo longo passa a render de verdade.

Fontes
- Marketing Dive — How brands’ deeper creator deals are unlocking cost efficiencies, results — painel da Advertising Week com Chili’s, Disney e Alaska Airlines; acesso em outubro de 2026
- IAB Brasil — pesquisa #Publi 2026: influência além dos seguidores — dados sobre preferência por criadores menores no Brasil; acesso em outubro de 2026
- CONAR — Guia de Marketing e Publicidade por Influenciadores Digitais — regras de identificação publicitária em vigor desde junho de 2026; acesso em outubro de 2026
A informação foi verificada em fontes independentes. Os números de investimento e a previsão de mercado são atribuídos ao IAB, com data e origem; os trechos de executivos são atribuídos à cobertura jornalística original.
Conclusão
Trocar o post avulso por um acordo mais longo com creators é uma decisão de eficiência: menos negociação repetida, mais consistência e conteúdo que continua trabalhando pela marca. A vantagem só aparece, porém, quando o contrato define objetivo, métrica, direito de uso e identificação publicitária. Sem isso, o que era para reduzir custo vira despesa fixa.
Sua marca já pensa em parcerias recorrentes com creators? O time de marketing digital da Canis ajuda a estruturar a seleção de creators, o contrato e a leitura de resultado em um plano que caiba no seu orçamento.