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O que aconteceu
Uma coluna assinada publicada nesta quarta-feira (7/10) na imprensa especializada em busca voltou a apontar a estrutura da conta como raiz da instabilidade de campanhas com Smart Bidding: grupos de palavra-chave única, campanhas duplicadas por tipo de correspondência e separação por dispositivo. O argumento não é novo, mas agora tem respaldo na documentação oficial.
No artigo The ABCs of Account Structure, a central de ajuda afirma que “estruturas mais simples, consolidadas e com temas bem definidos destravam melhor desempenho, gestão mais fácil, tendências mais claras e menos erros” (tradução nossa) nas campanhas de Search, e lista três movimentos: levar grupos de palavra-chave única para grupos temáticos, juntar os tipos de correspondência de um mesmo tema em um só grupo e remover a segmentação por dispositivo.
Segundo dados internos do Google de janeiro e fevereiro de 2023, 62% dos anunciantes que usam Smart Bidding têm a correspondência ampla como tipo principal.
Por que isso está acontecendo
O Smart Bidding decide lance a lance com base em volume de conversões e histórico de sinais. Quando a conta espalha pouco tráfego entre muitos grupos, cada campanha fica com dado de menos para separar tendência de variação aleatória. A documentação de boas práticas de configuração de conta diz que a automação não exige campanhas ou grupos separados por tipo de correspondência, geografia ou dispositivo.
O guia de Smart Bidding para Display quantifica o efeito. Com menos de 30 conversões no período avaliado, a oscilação esperada de CPA ou ROAS é “de média a alta (até 100%)” (tradução nossa) e o aprendizado inicial dura até quatro semanas. Com 50 conversões, a oscilação cai para até 50%; com 100, para até 20%; com 500, fica abaixo de 20% — os números estão na tabela oficial de impacto do volume de conversões.
A direção do produto confirma a leitura: no AI Max para campanhas de Search, o Google informa que quem ativa o recurso costuma ver 14% mais conversões ou valor de conversão com CPA ou ROAS semelhantes — e o recurso depende justamente de correspondência ampla e volume concentrado.
O que isso muda para uma PME brasileira
O Digital Adspend 2026, do IAB Brasil com a Kantar IBOPE Media, registrou R$ 42,7 bilhões investidos em publicidade digital em 2025, alta de 12,7% sobre 2024. A busca responde por 26% da verba digital e o celular concentra 69% do total — a estrutura que sustenta boa parte do investimento é justamente a que o Google manda simplificar.
O apetite do pequeno negócio é claro. Na pesquisa Perspectivas Digitais nos Negócios, do Sebrae com a FGV e o Google, 57% dos microempreendedores individuais e 50% das micro e pequenas empresas apontam o aumento das vendas como o resultado mais importante de adotar uma ferramenta digital, e Marketing e Vendas é a prioridade de investimento em tecnologia para 40% dos MEIs e 35% das MPEs.

Na prática, a conta típica de uma PME brasileira foi montada antes da automação: campanhas separadas por tipo de correspondência, por dispositivo e por bairro. Uma empresa que gera 30 conversões por mês dentro de cinco campanhas tem cerca de seis em cada uma — abaixo do piso de 30 que o Google usa como referência. Consolidar em duas campanhas (aquisição e marca) concentra o mesmo volume e aproxima cada uma do mínimo. Depois de mexer na estrutura, a leitura honesta do resultado leva semanas, não dias.
Onde faz sentido usar
- Contas com SKAGs herdados. Grupos de uma palavra-chave fazem sentido com lance manual, não com automação. Migrar para grupos temáticos é o primeiro movimento — o tipo de auditoria que a Canis faz em consultoria de Google Ads.
- Campanhas duplicadas por tipo de correspondência. O mesmo termo em exata, frase e ampla divide o dado que o Smart Bidding usa; unir os três em um grupo devolve volume ao sistema.
- Segmentação por dispositivo. O Smart Bidding já considera dispositivo no lance; separar desktop e celular só cria duas bases menores.
- Segmentações que devem ficar. Margem, objetivo (lead e venda), geografia estratégica e funis distintos continuam separados — trabalho de estruturação de tráfego pago que a Canis executa com critério escrito antes da mudança.
Riscos e limites
A orientação oficial também serve ao interesse comercial do Google: correspondência ampla e AI Max ampliam o inventário disponível no leilão. Consolidar não dispensa auditoria de termos de busca — sem ela, a conta ganha alcance e perde controle.
O exagero é o segundo risco: consolidar tudo em uma campanha única apaga diferenças reais de negócio — margem, ciclo de venda e experiência de destino. Marca e não marca misturadas embaralham sinais de intenção que se comportam de forma distinta.
O terceiro é técnico: a documentação do Google alerta que reorganizar a conta depois de acumular campanhas e grupos apaga dados valiosos já coletados. Migração de uma vez só, em conta com histórico, joga fora o sinal que a automação precisava e reinicia o aprendizado.
O que avaliar antes de implementar
- Volume de conversões por campanha. Conte quantas conversões cada campanha recebe por mês antes de decidir quantas manter. A régua oficial é de 30 conversões no período, e de 50 para estratégias de ROAS meta.
- Um objetivo por campanha. Se duas frentes têm metas diferentes — gerar lead e vender —, pertencem a campanhas diferentes. Fora disso, a separação costuma ser só rótulo de relatório.
- Qualidade do rastreamento. Consolidação acelera a automação na direção em que ela já estava indo. Confirme que as conversões que importam estão sendo importadas para o Google Ads, como orienta o guia sobre como os algoritmos de lance aprendem.
- Ordem da migração. Faça em etapas, começando por uma linha de produto, e defina a janela de avaliação antes de mudar. Sem critério escrito, qualquer oscilação vira motivo para desfazer o que estava certo.

Fontes
- Google Ads — The ABCs of Account Structure — acesso 07/10/2026 (fonte primária)
- Google Ads — Account setup best practices — acesso 07/10/2026
- Google Ads — Determine the results of a Display campaign that uses Smart Bidding — acesso 07/10/2026
- Google — Unlock next-level performance with AI Max for Search campaigns — acesso 07/10/2026
- UOL para Marcas — IAB Brasil: investimento em publicidade digital alcança R$ 42,7 bi — acesso 07/10/2026
- Agência Sebrae de Notícias — Pequenos negócios focam em vendas com ferramentas digitais — acesso 07/10/2026
A informação foi verificada nas fontes oficiais do Google Ads e em duas fontes independentes.
Conclusão
A estrutura da conta deixou de ser preferência de gestor e virou pré-requisito técnico: sem volume concentrado, o Smart Bidding não tem dado suficiente para separar sinal de ruído. Para uma PME brasileira que investe em busca, a pergunta útil não é “qual a melhor estrutura de campanha?”, e sim “quantas conversões cada campanha recebe por mês?”.
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