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Google lança Universal Cart nos EUA, com IA na Busca e no Gemini

Por Vinicius Moreira 5 min de leitura
Ilustração de um carrinho de compras cheio de produtos variados, cercado por lojinhas de toldos coloridos ligadas ao cesto por linhas pontilhadas, sob o título Universal Cart
O carrinho que junta compras de lojas diferentes: a ideia do Universal Cart.
Tópicos desta notícia (7)
  1. 01O que o Google lançou com o Universal Cart
  2. 02Como o carrinho funciona na prática
  3. 03O que muda para quem vende online
  4. 04O que a PME brasileira faz com isso agora
  5. 05Riscos e limites
  6. 06Fontes
  7. 07Conclusão

O que o Google lançou com o Universal Cart

O Google anunciou nesta quinta-feira (15) que o Universal Cart entrou no ar para usuários dos Estados Unidos, na Busca — incluindo o AI Mode — e no app Gemini. O recurso, apresentado em maio no Google I/O, é um carrinho de compras que reúne, num só lugar, produtos salvos em lojas diferentes enquanto a pessoa pesquisa.

Na prática, o carrinho guarda o que o usuário salvou e passa a trabalhar em segundo plano: avisa quando um produto da lista cai de preço ou volta ao estoque, sugere a forma de pagamento conforme os benefícios do cartão de crédito e mostra cupons disponíveis. Na hora de comprar, dá para fechar o pedido com Google Pay em poucos toques ou transferir os itens para o site da loja e concluir por lá, como noticiou o TechCrunch. Em qualquer caminho, segundo o Google, o varejista continua sendo o vendedor oficial do pedido; a lista inicial de lojas inclui Nike, Sephora, Target, Walmart e varejistas da Shopify.

Como o carrinho funciona na prática

Os alertas de preço e estoque saem do Shopping Graph, a base do Google com mais de 60 bilhões de anúncios de produtos atualizados continuamente, segundo o anúncio oficial. Já a parte de pagamento se apoia no Google Wallet: como o carrinho conhece os benefícios do cartão e os programas de fidelidade do usuário, ele ajuda a escolher a forma mais vantajosa — e, quando o checkout acontece dentro do Google, roda sobre o Universal Commerce Protocol (UCP).

O UCP é o padrão aberto de comércio com agentes de IA que o Google apresentou em janeiro, desenvolvido com varejistas como Walmart, Shopify e Target, e que já tem Amazon, Meta, Microsoft e Stripe no comitê de governança, segundo a The Verge. Ele padroniza a conversa entre os agentes e o sistema da loja — da descoberta do produto ao pós-venda — e é o que permite exibir o botão de compra direto na Busca ou no Gemini, como descreve a central de ajuda do Merchant Center.

Diagrama com as quatro etapas da jornada de compra no Universal Cart
Diagrama com as quatro etapas da jornada de compra no Universal Cart

O que muda para quem vende online

A mudança central é onde a compra acontece. No checkout novo, a transação passa a ocorrer nas superfícies do Google, e não no site da loja — embora o varejista siga como merchant of record, receba a confirmação do pedido e responda pelo suporte, como detalha a documentação oficial. Para participar, a loja precisa integrar o UCP e marcar os produtos com o atributo de elegibilidade no feed; a integração é liberada em fases e por seleção, começando pelos EUA, segundo a página de onboarding do Merchant Center.

É por isso que a orientação oficial para quem vende é direta: manter os dados do Merchant Center — feeds, atributos e ativos de marca — o mais completos e atualizados possível, porque é esse catálogo que alimenta tanto os anúncios quanto o próprio carrinho. A novidade é o deslocamento: a decisão de compra pode acontecer inteira fora do site, em uma interface onde a loja aparece como uma opção entre várias — e quem não estiver no catálogo, simplesmente não aparece.

O que a PME brasileira faz com isso agora

Por ora, nada muda para o lojista brasileiro — e vale dizer isso com clareza. O Universal Cart está só nos Estados Unidos; a expansão anunciada do checkout via UCP cobre Canadá e Austrália nos próximos meses e o Reino Unido mais adiante, segundo o anúncio de maio — sem menção ao Brasil. Quando o recurso foi apresentado, a imprensa brasileira registrou que ele chegava sem previsão para a chegada em mais regiões.

Isso não significa ignorar o movimento. O e-commerce brasileiro deve faturar R$ 258,4 bilhões em 2026, com 96,87 milhões de compradores online e tíquete médio de R$ 564,96, segundo projeções do setor citadas pelo E-Commerce Brasil — um mercado grande demais para ficar fora do radar de quem controla o catálogo das plataformas.

Para a PME, o trabalho de preparação é conhecido — e ganha urgência nova. Quando (e se) o carrinho chegar ao Brasil, a loja que já estiver com a casa em ordem entra na frente; a que deixar para depois descobre o problema só quando o concorrente aparecer no carrinho do cliente. A boa notícia é que a lista não depende de o recurso existir: dá para começar hoje, pelo que já está sob controle da loja.

Checklist com quatro itens de preparação para o lojista
Checklist com quatro itens de preparação para o lojista

Riscos e limites

O primeiro limite é geográfico: por enquanto, é um recurso dos Estados Unidos, para lojas selecionadas — e não há data nem compromisso público para o Brasil. O segundo é de dependência: quanto mais a jornada de compra se concentra nas superfícies do Google, mais o lojista negocia visibilidade, dados e experiência dentro de uma plataforma que não é sua — e a concorrência (Amazon e OpenAI correm atrás do mesmo terreno) pode mudar regras e condições com o tempo. As condições comerciais do checkout via Google não foram detalhadas no anúncio, e não há benchmark público de efeito sobre conversão. Para quem vende, integrar significa trocar parte do controle da experiência por alcance — uma conta que só fecha com dados da própria operação.

Fontes

Conclusão

O Universal Cart é o sinal mais concreto até agora de que a compra online está se movendo para dentro das interfaces de IA: menos abas, menos buscas soltas e mais decisão acontecendo onde a pessoa já conversa com o assistente. Para a PME brasileira, a data de chegada ainda não existe — mas a preparação tem prazo, e ele começa agora: catálogo, dados e presença em ordem antes de o recurso desembarcar por aqui.

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