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O que aconteceu
Em 26 de maio de 2026, o Google anunciou que o Display Ads deixa de ser um tipo de campanha e passa a ser gerenciado dentro do Demand Gen, com a Rede de Display (GDN) virando um canal de inventário ao lado de YouTube, Discover, Gmail e Maps (anúncio oficial). A rede não acaba: são mais de 2 milhões de sites, vídeos e apps, segundo a empresa.
A ferramenta de migração entrou em implantação gradual em junho de 2026. O Help Center lista duas etapas seguintes ainda sem data: novas campanhas de Display isoladas só poderão ser criadas dentro do Demand Gen, e as restantes elegíveis serão migradas automaticamente (documentação do Google Ads). O blog oficial projeta a conclusão “até 2027”; a cobertura especializada trata janeiro de 2027 como a data-limite para criar campanhas Display isoladas, sem data divulgada para a automigração (bizbrief.ie).
Os números de desempenho que a empresa usa para vender a mudança são internos: anunciantes que somaram a GDN em campanhas de Demand Gen viram, em média, 9,5% mais retorno, e o GoFood registrou CPA 24% menor com 19% mais conversões (anúncio oficial).

Por que isso está acontecendo
A migração é o passo mais recente de uma consolidação antiga: campanhas de Discovery e de ação em vídeo já tinham sido absorvidas pelo Demand Gen. O que muda agora é o grau de controle — o Display era o tipo em que o anunciante escolhia onde o anúncio aparecia; no Demand Gen, a compra é por público e a distribuição fica com o sistema.
No Brasil, a mudança mexe com uma fatia relevante do mercado. A publicidade digital somou R$ 42,7 bilhões em 2025, e a aparição em vídeos e banners em sites — o território do Display — ficou com 19% dos aportes, atrás de redes sociais (55%) e da busca (26%) (Seu Dinheiro). É a terceira maior fatia e a que mais dependia de escolha manual de onde aparecer.
Do lado de quem compra mídia, a prioridade declarada também aponta para o digital: em sondagem do Sebrae com a FGV, com 4.967 empresas ouvidas em março de 2026, marketing e vendas é a prioridade de investimento em tecnologia para 37,8% dos pequenos negócios (Agência Sebrae).
O que isso muda para uma PME brasileira
O orçamento do dia da migração é reiniciado. Se a campanha de Display gastou parte do orçamento diário antes da migração, a nova campanha começa o dia com o valor cheio, e o Google avisa que pode haver entrega fora do esperado nas primeiras 24 horas (documentação). Migrar num dia de campanha ativa, sem acompanhar o gasto, é a forma mais rápida de gastar duas vezes.
Estratégias de lance somem. CPC manual, impressões visíveis e pagamento por conversão não existem no Demand Gen, e ajustes de lance, de sazonalidade e lances de portfólio deixam de estar disponíveis — as alternativas são CPC de destino, máximo de cliques e CPA desejado (documentação). Quem opera com lance manual precisa replanejar antes, não depois.
Exclusões sobem de nível. As exclusões de adequação de conteúdo passam do nível de campanha para o nível da conta (documentação). Para negócios com restrição de marca — saúde, finanças, serviços regulados — a regra passa a valer para a conta inteira.
Vale saber ainda: os anúncios migrados passam por nova aprovação, a campanha original fica “Removida” por até cinco anos e a nova nasce com o nome da antiga mais “#2”.
Onde faz sentido usar
- Contas com Display ativo e verba relevante: se o canal responde por parte do resultado, migrar pela ferramenta evita o reinício de aprendizado, porque os 42 dias de histórico vão junto — trabalho de tráfego pago bem acompanhado;
- Negócios com restrição de marca: quem anuncia em setores sensíveis precisa revisar as exclusões de conteúdo antes, já que elas passam a valer na conta inteira;
- Quem usa lance manual ou pagamento por conversão: a troca é obrigatória, e vale testar CPA desejado ou máximo de cliques em uma campanha separada antes de mover a principal;
- Empresas que só querem a rede de Display: dá para manter a veiculação exclusiva na GDN usando os controles de canal do Demand Gen — a consultoria de Google Ads ajuda a decidir se vale ampliar para YouTube, Discover e Maps.
Riscos e limites
Os números de desempenho citados pelo Google são dados internos, medidos em contextos específicos, e não são promessa de ganho para qualquer conta. A rede não desaparece: o que muda é a forma de comprar e o controle sobre onde o anúncio aparece.
O calendário é a outra limitação. O Google confirma a ordem das etapas, mas não publica as datas do congelamento da criação nem da automigração; a data mais citada no mercado — janeiro de 2027 — não está em documento oficial. Quem planeja com base nela precisa lembrar que cronogramas e recursos podem mudar, como o próprio Help Center ressalta.
O que avaliar antes de implementar
- Quantas campanhas de Display a conta tem e quanto gastam. Sem esse inventário, a migração é às cegas; o Help Center recomenda não passar de 100 campanhas por lote;
- As exclusões e listas de posicionamento estão exportadas? As exclusões de conteúdo passam para o nível da conta e precisam ser conferidas antes;
- A estratégia de lance atual existe no Demand Gen? Se a conta roda CPC manual, impressões visíveis ou pagamento por conversão, a troca é obrigatória — teste a alternativa antes;
- A medição está pronta para ler a oscilação? O Google recomenda janela de atribuição acima de 28 dias e mudanças de lance de no máximo 15% por semana, com uma semana de espera entre elas (boas práticas); sem isso, a oscilação dos primeiros dias vira decisão no escuro.

Fontes
- Google — anúncio oficial da migração do Display para o Demand Gen — 26/05/2026, acesso em 07/10/2026;
- Google Ads Help — cronograma e regras da migração — lances, exclusões e boas práticas, acesso em 07/10/2026;
- bizbrief.ie — cronograma da mudança do Display para o Demand Gen — data-limite de janeiro de 2027 para novas campanhas, acesso em 07/10/2026;
- Seu Dinheiro — publicidade digital no Brasil, com dados do IAB — acesso em 07/10/2026;
- Agência Sebrae — prioridade digital dos pequenos negócios — acesso em 07/10/2026.
A informação foi verificada na fonte primária e em fontes independentes.
Conclusão
Para uma PME brasileira, a decisão prática não é escolher entre Display e Demand Gen: o Display já está dentro do Demand Gen. É decidir quando e como migrar — antes do congelamento da criação, com as exclusões revisadas, o lance compatível e a medição pronta para ler a oscilação.
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