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OpenAI diz que busca do ChatGPT é um quinto do Google

Por Vinicius Moreira 6 min de leitura
Ilustração vetorial chapada com o título "ChatGPT vs Google", duas barras verticais lado a lado — a da esquerda, alta, com uma lupa; a da direita, com um balão de conversa e cerca de um quinto da altura.
A OpenAI comparou o volume de consultas com busca do ChatGPT ao do Google; o dado é da própria empresa e não detalha a base.
Tópicos desta notícia (8)
  1. 01O que a OpenAI disse sobre o volume de busca do ChatGPT
  2. 02Por que “um quinto” não é participação de mercado
  3. 03O que o Google diz do próprio crescimento
  4. 04O que isso muda para uma PME brasileira
  5. 05Anúncios no ChatGPT: o que já se sabe
  6. 06Riscos de tirar conclusão apressada
  7. 07Fontes
  8. 08O próximo passo

A OpenAI passou a comparar publicamente o volume de buscas do ChatGPT com o do Google. Em entrevista publicada em 3 de novembro pela newsletter Big Technology, Adam Fry, líder de produto de consumo do ChatGPT, disse que “o volume de consultas com busca do ChatGPT é hoje cerca de um quinto do volume de consultas do Google”. A declaração foi feita em um jantar promovido pela OpenAI em Nova York e está na transcrição publicada pela Big Technology, em tradução livre.

Fry também informou 1,2 bilhão de usuários ativos semanais, depois de passar de 1 bilhão a 1,2 bilhão em 60 dias, e 250 milhões de usuários semanais dos recursos de voz. O número que interessa a quem depende de busca é outro: a OpenAI não disse qual número do Google usou como base, em que período, nem em quais regiões.

O que a OpenAI disse sobre o volume de busca do ChatGPT

A definição usada pela empresa é restrita. Questionado sobre como conta uma busca em conversas com várias perguntas, Fry respondeu que “toda vez que você faz uma pergunta e vai buscar na web, isso é uma busca”. Ou seja: o número mede as perguntas que disparam uma consulta à web, não o total de mensagens trocadas no ChatGPT e muito menos o tráfego que o serviço envia aos sites.

A comparação é uma estimativa da própria OpenAI, não uma medição independente de participação de mercado. O The Verge registrou que Fry não especificou a origem do volume atribuído ao Google. Para dar escala, o veículo lembrou que o Bing tinha cerca de 3% do mercado de busca quando o CEO da Microsoft, Satya Nadella, testemunhou no julgamento antitruste do Google, em 2023.

Por que “um quinto” não é participação de mercado

Participação de mercado é uma fatia de um total medido pela mesma régua. O que a OpenAI divulgou é uma razão entre dois volumes que ela não detalha: as buscas disparadas dentro do ChatGPT e um número de consultas do Google que não foi revelado. Sem a base, não dá para saber se a comparação usa buscas diárias, mensais ou anuais, nem se o Google mede da mesma forma.

Há uma segunda diferença, prática para quem tem site: volume de consulta não é tráfego enviado. Uma busca dentro do ChatGPT pode terminar em uma resposta pronta, sem clique para nenhum site. Mesmo que o ChatGPT processe um quinto das consultas do Google, isso não significa que ele entregue um quinto dos cliques — as duas métricas medem coisas diferentes.

Cartão escuro com o título "O que o número não informa" e quatro itens curtos marcados por check.
Cartão escuro com o título “O que o número não informa” e quatro itens curtos marcados por check.

O que o Google diz do próprio crescimento

O contraponto está no resultado do Google. Na teleconferência do terceiro trimestre, em 28 de outubro, o CEO Sundar Pichai afirmou que a taxa de crescimento anual das buscas é a mais alta dos últimos cinco anos, sem divulgar o percentual, e que as consultas no AI Mode são, em média, três vezes mais longas que as tradicionais — os dados estão na transcrição oficial da Alphabet.

A receita de anúncios de busca cresceu 12% no trimestre, abaixo dos 17% do segundo trimestre e dos 19% do primeiro, segundo a TechCrunch. Ou seja: o Google diz que o volume de consultas cresce no ritmo mais forte em cinco anos, mas a receita por busca desacelera. As duas empresas crescem em busca, com métricas que não se comparam diretamente.

O que isso muda para uma PME brasileira

A primeira consequência é de medição. Vale conferir no Analytics se as visitas vindas do ChatGPT estão identificadas como referral e se o volume é relevante para o negócio; sem isso, o número de “um quinto” não ajuda a decidir nada. Também é útil separar o tráfego de marca do de cauda longa: se as duas fontes crescem em consultas mas o clique para o site não acompanha, o problema pode estar na resposta, não no canal.

A segunda é de conteúdo. Se parte das perguntas migra para um assistente, páginas que respondem à dúvida completa — com preço, prazo, condição e próximos passos — continuam sendo a matéria-prima que os dois sistemas usam para responder. O que muda é a embalagem: respostas curtas e diretas no topo, contexto verificável abaixo, e nenhuma promessa que a página não cumpra.

A terceira é de canal: o dado não justifica tirar verba do Google nem dobrar a aposta no ChatGPT. O caminho é medir o referral de IA e comparar o custo por conversão de cada canal antes de mexer no orçamento.

Cartão escuro com quatro etapas numeradas de decisão antes de mudar o orçamento entre canais.
Cartão escuro com quatro etapas numeradas de decisão antes de mudar o orçamento entre canais.

Anúncios no ChatGPT: o que já se sabe

O ChatGPT já exibe anúncios, e a OpenAI sinaliza que pode aumentar. Na mesma conversa, Fry disse que os anúncios “não impactaram negativamente o produto ou o uso” e que “a maioria das pessoas não parece se incomodar com anúncios”, segundo o The Verge. A frase abre espaço para mais inventário publicitário dentro das respostas — o que aproxima o modelo de negócio do ChatGPT ao do Google, mesmo que os volumes ainda sejam outros.

Para o anunciante brasileiro, a leitura é de acompanhamento, não de urgência. Vale saber como o anúncio é rotulado, como o custo por conversão se compara ao de Search e se a página de destino responde à pergunta que o anúncio promete resolver. A decisão de investir depende de o formato estar disponível no Brasil e de os números fecharem na conta.

Riscos de tirar conclusão apressada

O primeiro risco é tratar um número de fornecedor como auditoria. A OpenAI não publica a base do cálculo, o período nem as regiões; o dado pode mudar de sentido conforme a metodologia. O segundo é confundir consulta com clique: um quinto das buscas não é um quinto do tráfego nem um quinto da receita publicitária.

O terceiro é de calendário: o dado é de novembro de 2026, num momento de crescimento acelerado do ChatGPT, e o Google segue com o maior volume de consultas. Um único número não desenha tendência.

Fontes

Citações traduzidas livremente da entrevista publicada pela Big Technology; a definição de busca, os usuários semanais e a comparação com o Google foram conferidos na entrevista e na cobertura do The Verge; os números do Google foram conferidos na transcrição oficial. Dados verificados em 03/11/2026.

O próximo passo

Se a sua empresa quer saber o que o avanço do ChatGPT significa na prática, o primeiro passo é medir: separar o referral de IA do restante do tráfego, acompanhar a conversão de cada canal e revisar as páginas que respondem às perguntas mais longas. A Canis trabalha com SEO e conteúdo orientado a busca e ajuda a montar essa medição antes de qualquer mudança de orçamento.

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