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O Google passou a descrever a busca tradicional, o AI Overviews e o AI Mode como partes de um mesmo produto. A afirmação foi feita na teleconferência de resultados do terceiro trimestre da Alphabet, em 28 de outubro, e é a forma como a empresa passou a apresentar o negócio a investidores. O CEO Sundar Pichai disse que o Google está “construindo uma experiência contínua entre AI Overviews, AI Mode e a busca tradicional”; o diretor de negócios Philipp Schindler afirmou que a empresa pensa “na busca de forma holística, um produto unificado que abrange resultados tradicionais e busca com IA”. As falas estão na transcrição oficial da teleconferência, em tradução livre.
No mesmo dia, o Google publicou no blog corporativo o anúncio de expansão dos anúncios no AI Mode para dez países e informou que pretende chegar ao Brasil no quarto trimestre de 2026. A empresa diz, ao mesmo tempo, que a experiência é uma só e que a monetização dela também será.
O que o Google disse sobre Search e AI Mode
Pichai acompanhou a fala de números sobre comportamento. Segundo ele, as consultas no AI Mode são, em média, três vezes mais longas que as buscas tradicionais, e uma em cada cinco consultas no AI Mode no mundo usa voz, imagens ou documentos. O Google também informou ter ultrapassado 50 bilhões de buscas visuais por mês. Nenhum desses números foi auditado por fonte independente; são dados divulgados pela própria empresa.
Schindler acrescentou que a maioria das consultas no AI Mode é incremental, ou seja, não substitui uma busca que já existiria, e que os anúncios nessas superfícies têm taxa de clique semelhante à dos itens orgânicos de produto. É a justificativa comercial para escalar o formato: se o anúncio no AI Mode performa como um resultado orgânico, o Google pode vender a posição sem canibalizar a experiência.
O que muda na prática para o tráfego orgânico
A busca continua partindo da mesma caixa de entrada do Google. O que muda é o que aparece depois da consulta: em vez de uma lista de links, o usuário pode receber um bloco de resposta gerada, uma sequência de links de apoio e, em alguns casos, anúncios identificados. Para quem publica conteúdo, a mesma consulta passa a ter mais de uma camada — e a de IA pode resolver a dúvida antes do clique.
O Google sustenta que o volume total de consultas está crescendo: Pichai disse que a taxa de crescimento anual das buscas é a mais alta dos últimos cinco anos, embora não tenha divulgado o percentual. Se o número de consultas cresce e o de cliques em links não cresce na mesma proporção, o tráfego orgânico por consulta cai. É uma conta que a empresa não apresenta, e por isso o dado deve ser lido como sinal, não como garantia.

Anúncios no AI Mode: quando chegam ao Brasil
O post oficial do Google Ads lista dez países na expansão imediata: Austrália, Canadá, Índia, Quênia, Malásia, Nova Zelândia, Nigéria, Paquistão, Filipinas e Singapura. Para o quarto trimestre de 2026, a empresa planeja incluir Brasil, México e Reino Unido, sem data definida. Nos Estados Unidos, o Google lançou anúncios de múltiplos turnos, que aparecem em perguntas de acompanhamento dentro do AI Mode.
O anúncio diz que os formatos serão identificados como patrocinados. O que um anunciante brasileiro pode fazer antes da chegada: conferir se as campanhas de Search, Shopping e Performance Max estão com segmentação geográfica e de idioma corretas, revisar palavras-chave negativas e avaliar se a página de destino responde à pergunta que o anúncio promete resolver. O Google Ads Help informa que as métricas de anúncios em AI Overviews e AI Mode aparecem de forma agregada nos relatórios padrão de campanha, sem um relatório separado.

Por que as ações caíram com receita em alta
A Alphabet reportou receita de US$ 127,6 bilhões no trimestre, alta de 25% em relação ao ano anterior, e Google Cloud de US$ 30,7 bilhões, alta de 103%. Ainda assim, as ações caíram cerca de 8% após o resultado, segundo a cobertura da TechCrunch: a receita de anúncios de busca cresceu 12%, contra 17% no segundo trimestre e 19% no primeiro. A desaceleração acontece justamente quando o Google empurra usuários para o AI Mode, onde o espaço publicitário é mais novo e menos povoado — menos receita por busca no curto prazo, mais inventário para o anunciante.
O que isso muda para uma PME brasileira
A primeira mudança é de medição. Vale conferir no Search Console se as consultas que trazem cliques são as mesmas dos relatórios de consulta, e no Analytics se o tráfego vindo de respostas de IA está classificado como busca orgânica ou como referral. Sem essa separação, qualquer decisão sobre cortar ou aumentar conteúdo fica baseada em um número misturado. Separar marca de cauda longa ajuda a identificar se a queda vem da camada de resposta ou de outro fator, como sazonalidade ou concorrência.
A segunda é de conteúdo. Consultas três vezes mais longas e com voz, imagem e documento pedem páginas que respondam a perguntas completas, com contexto e próximos passos — não apenas a palavra-chave. Isso não significa escrever mais; significa cobrir a dúvida que a resposta de IA não resolve sozinha, como preço, prazo e condição.
A terceira é de mídia paga. Com anúncios no AI Mode previstos para o Brasil no quarto trimestre, o orçamento de Search pode disputar um espaço diferente do que a PME conhece. A recomendação é testar com verba controlada, acompanhar o custo por conversão e não migrar tudo de uma vez para um formato que ainda não tem relatório próprio.
Riscos e limites do anúncio
O primeiro limite é de fonte: as falas e os números são declarações do Google a investidores, não medições independentes. A empresa não publica o volume absoluto de consultas nem o impacto no tráfego de sites, o que impede calcular o efeito real da unificação. O segundo é de calendário: o Brasil está na lista do quarto trimestre, mas sem data. O terceiro é de escopo: “produto unificado” descreve a direção da experiência e da monetização; não há, na teleconferência, anúncio de mudança no ranqueamento de links.
Fontes
- Alphabet Investor Relations — transcrição da teleconferência do Q3 2026 — realizada em 28/10/2026; acesso em 03/11/2026
- Google Blog — Ads in AI Mode expand to new markets — publicado em 28/10/2026; acesso em 03/11/2026
- Google Ads Help — About ads in AI-powered experiences in Google Search — acesso em 03/11/2026
- TechCrunch — Google expands AI Search ads globally as core ad growth slows — publicado em 28/10/2026; acesso em 03/11/2026
Citações traduzidas livremente da transcrição oficial; números conferidos nas fontes acima. Dados verificados em 03/11/2026.
O próximo passo
Se a sua empresa depende do Google para atrair clientes, a decisão prática não é abandonar o SEO nem migrar o orçamento inteiro para o AI Mode. É medir melhor: separar marca de cauda longa, acompanhar o tráfego de respostas de IA e revisar as páginas que respondem às perguntas mais longas. A Canis trabalha com SEO e conteúdo orientado a busca e ajuda a transformar esse tipo de anúncio em um plano de medição e conteúdo, sem aposta em cima de uma única fala de teleconferência.